O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou em
pronunciamento no plenário do Senado Federal que o governo Lula estaria
sabotando as investigações do caso Banco Master, da mesma forma que teria feito
com a CPI do INSS. Para o parlamentar, o padrão de obstrução é deliberado e
envolve desde a negativa de convocações até a recusa em autorizar quebras de
sigilo de pessoas de interesse das investigações. "Mesmo que tenha
sabotagem do governo Lula, como fez em outras CPIs, inclusive a do INSS,
negando convocação, negando quebra de sigilo", afirmou o senador na
tribuna.
Girão apontou que a origem de todo o esquema estaria
no Cred, estrutura ligada ao PT da Bahia. Segundo o parlamentar, foi ali que o
"ovo da serpente" foi gerado, conectando o escândalo financeiro do
Banco Master a figuras do entorno do governo federal. Entre os nomes citados
está Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil e quadro histórico do PT baiano, além
do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cujo nome teria aparecido em novas
denúncias apresentadas na segunda tentativa de colaboração premiada de Daniel
Vorcaro, conforme divulgado pela revista Veja. "Todo esse esquema, esse
escândalo, foi gerado ali", disse Girão.
O senador também estendeu a acusação de obstrução ao
STF, que segundo ele atuaria em paralelo ao governo para blindar investigados e
esvaziar o trabalho do Senado. Girão citou a liberação de depoentes para
ignorar convocações aprovadas pelos parlamentares como exemplo concreto dessa
interferência. Para ele, o cenário configura uma aliança institucional entre o
Executivo e o Judiciário para impedir que a verdade sobre o caso venha à tona.
"O STF também fazendo a mesma coisa, não deixando convocações que a gente
aprovou precisarem vir, liberando os depoentes para virarem as costas pro
Senado", denunciou.
Apesar do tom de alerta, Girão fez questão de
ressaltar que a sabotagem, até agora, não foi suficiente para paralisar
completamente as investigações. O senador lembrou que 14 pessoas já foram
presas no caso INSS e que os parentes de Vorcaro seguem detidos por decisão dos
ministros André Mendonça e Luiz Fux. Para ele, esses resultados mostram que é
possível avançar mesmo diante da resistência do governo e de setores do STF,
desde que haja vontade institucional e coragem para enfrentar os poderosos.
"Mesmo assim tem 14 pessoas presas no roubo do INSS", pontuou o
parlamentar, antes de renovar seu apelo pela abertura do sigilo das
investigações em curso.

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