A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê
o fim da escala de trabalho 6×1 pode provocar um aumento médio de 5,5% no preço
dos imóveis no Brasil, segundo estudo da Abrainc (Associação Brasileira de
Incorporadoras Imobiliárias).
De acordo com a entidade, o prazo de transição
previsto no texto, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente
tramita no Senado Federal, é insuficiente para que o setor se adapte às mudanças.
Em entrevista, o presidente da Abrainc, Luiz França,
afirmou que o período de transição proposto não atende às características do
mercado imobiliário, marcado por ciclos longos de produção.
“Você faz o lançamento e, após o lançamento, ainda
leva de 36 a 40 meses para entregar aquele empreendimento”, explicou.
Na avaliação do executivo, uma transição tão curta
dificulta o planejamento e a adaptação das empresas.
França também destacou que países frequentemente
citados como referência na discussão da PEC, como México, Colômbia e Chile,
adotaram períodos de transição entre quatro e oito anos ao implementarem
mudanças semelhantes.
Segundo o presidente da Abrainc, a discrepância
entre os exemplos internacionais e a proposta brasileira gera preocupação não
apenas no setor imobiliário, mas em diversos segmentos da economia.
Além dos impactos para as empresas, a Abrainc alerta
para possíveis consequências sociais. De acordo com França, o aumento projetado
nos preços dos imóveis poderia excluir cerca de 2,5 milhões de famílias da
possibilidade de adquirir a casa própria.
O efeito seria ainda mais significativo para os
beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida, uma vez que o aumento das
prestações reduziria o acesso ao financiamento habitacional.
O presidente da entidade também relacionou a medida
ao desafio do déficit habitacional brasileiro, atualmente estimado em cerca de
6 milhões de moradias. As projeções indicam que o país precisará construir
entre 9 e 11 milhões de novas unidades nos próximos dez anos para atender à
demanda.
Nesse contexto, França avalia que o aumento dos
custos da construção pode dificultar ainda mais a redução desse déficit.
Por fim, o presidente da Abrainc argumenta que os
impactos da mudança na jornada de trabalho não se limitariam ao setor
imobiliário. Na avaliação da entidade, a medida teria potencial para elevar os
preços de produtos e serviços em diferentes áreas da economia, reduzindo o
poder de compra da população.
Com informações da CNN

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