A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê
o fim da escala de trabalho 6x1 acendeu um alerta no setor produtivo, que teme
aumento dos custos com mão de obra, pressão inflacionária e queda de
produtividade.
Em entrevista ao CNN Money, o economista-chefe da
BGC Liquidez, Felipe Tavares, avaliou que a velocidade com que o debate avança
reduziu o tempo necessário para que empresas e governo dimensionem os impactos
da medida sobre a economia.
"De cara, o setor produtivo tem a certeza de
que haverá um aumento nos custos em relação à mão de obra", afirma o
economista.
"Com a mudança, haverá uma queda na
produtividade em um contexto no qual o Brasil enfrenta uma situação fiscal e
macroeconômica delicada, especialmente diante do atual cenário da curva de
juros".
Para Tavares, o segundo efeito deve ocorrer nos
setores que já enfrentam escassez de trabalhadores, especialmente no segmento
de serviços. O economista diz ainda que a redução da jornada pode intensificar
a disputa por profissionais e elevar ainda mais os gastos das empresas.
A principal preocupação, porém, está na capacidade
de absorção dessas custos.
"A questão é como isso vai caber no bolso do
empresariado e qual será o efeito sobre as margens das empresas", explica.
Segundo o especialista, algumas companhias poderão
reduzir dias de operação ou até encerrar atividades caso não consigam
equilibrar contas.
Embora considera díficil mensurar todos os
desdobramentos da proposta neste momento, Tavares afirma que os sinais apontam
para um saldo negativo. Estimativas preliminares, de acordo com ele, indicam
impacto entre R$ 9 bilhões a R$ 10 bilhões.
CNN Brasil

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