O colunista Carlos Andreazza analisa o discurso do
presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre, no qual o parlamentar se
defende da acusação de ter recebido propina de Daniel Vorcaro. De acordo com a
revista “Veja”, a delação rejeitada do banqueiro aponta um pagamento de R$ 30
milhões ao parlamentar.
Andreazza aponta que Alcolumbre utilizou inspiração
no discurso “xandônico” de transformar qualquer crítica ou acusação a uma
pessoa como um ataque às instituições.
”A gente chega ao trecho da fala dele que a gente
vai examinar, que é um texto de Constituição, como eu gosto de chamar,
Xandônica. É a vitimização de Davi Alcolumbre se colocando, não como senador
Davi Alcolumbre, mas como a instituição. Qualquer denúncia, e claro que a
denúncia tem que ser apurada, se for falsa é uma coisa gravíssima, mas qualquer
denúncia no Brasil hoje contra autoridade, sob a lógica xandônica, qualquer
denúncia vira um ataque, perversão da palavra ataque, perversão do verbo
atacar, vira um ataque contra a instituição, contra o Senado", aponta
Andreazza.
No comentário, o colunista também aponta que essa
construção tem o objetivo de atrair o apoio dos demais parlamentares.
“Esse é um discurso por meio do qual se provoca o
espírito de corpo dos demais ali. Aliás, nem precisava desse discurso. Veja a
situação de vários senadores e suas relações com Daniel Vorcaro”, diz
Andreazza, citando os casos de outros senadores.
“Não é só Davi Alcolumbre o senador implicado, por
isso a solidariedade também. Tem o Ciro Nogueira, tem o Flávio Bolsonaro, tem o
Jaques Wagner, também ecumênico, de todos os partidos. Percebam como se
constitui o discurso de que eu sou a instituição. É um ataque à instituição,
isso está na moda no Brasil”, enfatiza.
Carlos Andreazza também observa o recado de Davi
Alcolumbre no discurso, de que tem alguém articulando contra ele.
“Está posto aí a presença de um elemento terceiro,
que talvez ele saiba quem seja, talvez seja isso que ele tenha sugerido.
Alguém, alguma força querendo prejudicá-lo”, diz Andreazza sobre a fala do
parlamentar.
Carlos Andreazza - Estadão
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