O fenômeno climático El
Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico Equatorial e deve ganhar força
nos próximos meses, podendo atingir intensidade forte durante a primavera
austral de 2026. A informação foi confirmada pelo Centro de Previsão Climática
da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) na
última quinta-feira (11).
O retorno do fenômeno
também é apontado por importantes centros meteorológicos internacionais, como a
Agência Meteorológica do Japão (JMA), o Centro Climático da Cooperação
Econômica Ásia-Pacífico (APCC), o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de
Médio Prazo (ECMWF), o Departamento de Meteorologia da Austrália (BoM) e a
Organização Meteorológica Mundial (WMO). A avaliação coincide com a análise
divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
De acordo com os dados
mais recentes, o índice Niño 3.4 atingiu +0,7°C na primeira semana de junho,
valor que caracteriza oficialmente a instalação das condições de El Niño.
Outros indicadores também registraram aquecimento acima da média nas águas
superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, reforçando a consolidação do
fenômeno.
As projeções dos modelos
climáticos internacionais indicam que o El Niño deve continuar se fortalecendo
até o verão de 2026/2027. Segundo as previsões, existe 63% de probabilidade de
o fenômeno alcançar a categoria de El Niño muito forte entre novembro de 2026 e
janeiro de 2027, podendo figurar entre os eventos mais intensos registrados
desde 1950.
Possíveis impactos no
Brasil
Embora o fenômeno se forme
no Oceano Pacífico, seus efeitos costumam ser sentidos em diversas partes do
mundo, incluindo o Brasil. O que muda é a intensidade dos impactos em cada
região.
Se o El Niño realmente se
fortalecer nos próximos meses, o Nordeste poderá registrar redução das chuvas,
principalmente no interior, aumentando o risco de seca e estiagem. Na Região
Norte, pode haver diminuição das precipitações em áreas da Amazônia. Já no Sul
do país, a tendência é de aumento das chuvas, elevando o risco de enchentes,
alagamentos e temporais.
Nas regiões Centro-Oeste e
Sudeste, os efeitos costumam variar, mas podem incluir períodos mais quentes e
alterações nos padrões de chuva.
No Rio Grande do Norte,
assim como em outros estados do Nordeste, um El Niño mais intenso pode
contribuir para chuvas abaixo da média em alguns períodos, especialmente nas
áreas mais suscetíveis à estiagem.
Especialistas destacam que
ainda é cedo para prever com exatidão os impactos em cada estado, mas os
modelos climáticos indicam que o fenômeno deve ser acompanhado de perto nos
próximos meses.
O INMET ressalta que nem
todos os eventos de El Niño produzem os mesmos efeitos em todas as regiões
brasileiras. Ainda assim, quanto maior a intensidade do fenômeno, maior tende a
ser sua influência sobre as temperaturas e o regime de chuvas no país.
O instituto informou que
seguirá monitorando continuamente as condições do Oceano Pacífico Equatorial e
acompanhando as atualizações dos principais centros meteorológicos
internacionais para avaliar a evolução do fenômeno e seus possíveis reflexos
sobre o clima brasileiro nos próximos meses.

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