O ex-ministro Ciro Gomes afirmou que a decisão dos
Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações
terroristas é consequência de décadas de falhas do Brasil no combate ao crime
organizado. A declaração foi dada após o governo americano anunciar sanções
contra as duas facções.
Para Ciro, o principal efeito da medida não será uma
intervenção estrangeira em território brasileiro, mas sim um forte cerco
financeiro às organizações criminosas. Com a nova classificação, autoridades
americanas poderão bloquear contas, congelar ativos e dificultar operações
financeiras ligadas às facções dentro do sistema bancário internacional.
O ex-governador do Ceará argumentou que, ao longo
dos últimos 20 anos, o crime organizado deixou de atuar apenas no tráfico de
drogas e passou a se infiltrar na economia formal, no sistema financeiro e até
em estruturas políticas. "Vinte anos de omissão no Brasil acabaram
vulnerando o nosso país a uma potência estrangeira declarar isso",
afirmou.
Segundo Ciro, o maior temor das facções está
relacionado à possibilidade de perda de patrimônio e ao bloqueio de recursos
movimentados fora do Brasil. Ele destacou que os grupos criminosos movimentam
bilhões de reais por meio de operações financeiras complexas e não apenas com
dinheiro em espécie.
A fala ocorre em meio ao debate sobre a decisão do
governo dos Estados Unidos, que passará a tratar PCC e Comando Vermelho como
organizações terroristas, ampliando o alcance de investigações e sanções contra
integrantes e eventuais colaboradores dos grupos.

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