A investigação da Polícia Federal que teve como alvo
o senador Jaques Wagner (PT-BA) por suspeita de favorecimento ao Banco Master
expõe uma rachadura profunda no grupo mais poderoso do entorno do presidente
Lula, conhecido nos bastidores como "República da Bahia". O escândalo
chega em momento crítico, com a campanha de reeleição já em curso e o PT baiano
diante de um dilema sem saída fácil.
Wagner, líder do governo no Senado, é acusado de ter
atuado para ampliar o crédito consignado, aumentar a cobertura do Fundo
Garantidor de Créditos e acompanhar a tentativa de venda do Master ao BRB, tudo
em troca de vantagens. A PF apreendeu em endereços do senador 55 mil dólares,
33 mil euros e 13 relógios de luxo. Ele teria recebido ainda um apartamento de
R$ 2,5 milhões em Salvador e R$ 3,5 milhões via empresa gerida pela nora.
O grupo baiano, que inclui o ministro da Casa Civil
Rui Costa e o chefe da Secom Sidônio Palmeira, chegou ao auge da influência no
início de 2025, quando foi descrito como o núcleo estratégico da reeleição de
Lula. A entrada de Sidônio ao Planalto, em janeiro daquele ano, foi celebrada
como o fortalecimento da articulação política do PT.
O caso muda esse cálculo. Com Wagner como alvo da
PF, o mesmo grupo que era descrito como a espinha dorsal do governo passa a ser
associado ao escândalo bancário. Aliados do PT na Bahia reconhecem, nos
bastidores, que a permanência do senador na liderança pode custar votos ao
partido tanto no estado quanto na corrida presidencial.
A reunião marcada entre Wagner e Lula nesta
quarta-feira deve selar o destino do senador. O resultado pode redesenhar não
só o mapa do Senado, mas o próprio futuro do PT baiano nas eleições de 2026.

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