O governo decidiu, nesta terça-feira (23/6), manter
o cronograma de aumento do imposto de importação para carros elétricos e
híbridos, que deve chegar a até 35% nos próximos meses. A medida tende a
encarecer veículos importados, embora um mecanismo temporário de alívio possa
suavizar o impacto no curto prazo.
A decisão foi tomada pela Câmara de Comércio
Exterior (Gecex), que optou por não alterar a política de recomposição
tarifária. Com isso, veículos eletrificados importados, especialmente os que
chegam prontos ao país, passam a enfrentar uma carga tributária mais elevada,
com o objetivo de incentivar a produção local.
Para reduzir o impacto, o governo autorizou uma cota
adicional de importação com imposto zerado por seis meses, no valor total de
US$ 463 milhões. Dentro desse limite, montadoras poderão trazer veículos sem
pagar imposto. Acima da cota, volta a valer a alíquota cheia.
A medida funciona como um amortecedor e evita uma
alta abrupta nos preços, mas não deve mudar a tendência de encarecimento dos
carros importados ao longo do tempo.
A política também diferencia o tipo de importação.
Veículos desmontados ou semidesmontados continuam com tributação menor no curto
prazo, enquanto carros totalmente importados não têm acesso às cotas e ficam
sujeitos à alíquota integral.
No caso de veículos semimontados ou montados, a nova
alíquota passa a valer a partir do mês de julho. Já no caso de veículos que são
desmontados, a medida vale a partir de 1º de janeiro de 2027.
A estratégia reflete a tentativa do governo de
equilibrar interesses. De um lado, montadoras instaladas no Brasil pressionam
por maior proteção contra a entrada de veículos estrangeiros, especialmente os
chineses, que ganharam espaço no mercado nos últimos anos. De outro, empresas
que ainda dependem da importação defendem a manutenção de incentivos para
evitar repasses imediatos de preços ao consumidor.
Segundo o governo, no entanto, a medida está ligada
a outras iniciativas de descarbonização e cuidado com o meio ambiente.
“A medida converge com outras iniciativas do governo
voltadas à renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da
descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro, com veículos mais
sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO2”, afirmou a
Camex em nota.
Metrópoles

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