quarta-feira, 3 de junho de 2026

Brasil leva segunda tarifa dos EUA em dois dias; cobrança total pode chegar a 37,5%

 


Os Estados Unidos propuseram nesta terça-feira (2) uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros em investigação aberta sobre trabalho escravo. A medida atinge outros 58 países e foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio Americana. A informação é do Estadão.

A justificativa do USTR é que o Brasil e os demais países taxados falharam em proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Segundo o órgão, a prática “onera ou restringe” o comércio americano ao colocar trabalhadores dos EUA em desvantagem na competição global.

Para 14 economias, entre elas Argentina, Canadá, México, União Europeia e Reino Unido, a tarifa foi fixada em 10%, por terem adotado medidas parciais contra o trabalho forçado. As 46 demais, incluindo o Brasil, receberam a alíquota de 12,5% por não terem implementado nenhuma proibição efetiva.

A nova cobrança se somaria aos 25% já propostos um dia antes pelos EUA após investigação sobre “práticas incoerentes” do Brasil com o comércio norte-americano. O acúmulo das duas tarifas elevaria para 37,5% a taxação total sobre produtos brasileiros caso ambas as medidas sejam aplicadas.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado cria condições desiguais para os trabalhadores americanos. “Não toleraremos mais essa disparidade”, disse Greer ao anunciar a proposta.

Uma audiência pública para discutir a tarifa adicional está marcada para 7 de julho, em Washington. O encontro ocorre um dia após a audiência sobre a investigação específica contra o Brasil, ambas baseadas na mesma legislação comercial americana.

Para o setor têxtil, o USTR prevê um mecanismo especial para reduzir a tarifa sobre determinado volume de importações de vestuário, sem especificar a quantidade no relatório. O cálculo será feito com base nos volumes de importação e exportação entre os EUA e os países afetados.

O Itamaraty conduziu as tratativas com o USTR durante a investigação e enviou aos EUA uma denúncia de déficit de fiscais do trabalho no Brasil. O ministro Mauro Vieira havia pedido que o governo americano se abstivesse de aplicar punições, mas o órgão ainda não se pronunciou sobre a nova proposta.

O anúncio já era esperado por empresários brasileiros, que acompanhavam o andamento da investigação desde sua abertura. A proposta ainda passa por período de consulta pública antes de qualquer decisão final sobre a aplicação das tarifas.

O Brasil integra a lista das 46 economias que, segundo o USTR, não conseguiram impor e aplicar proibição à importação de produtos oriundos de trabalho forçado. Entre os outros países do grupo estão China, Índia, Japão, Rússia, Arábia Saudita e Venezuela.

 

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