A infiltração do crime organizado na economia formal
brasileira já provoca perdas bilionárias para a indústria nacional.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula um impacto
anual de R$ 39 bilhões, valor equivalente a 0,6% do faturamento do setor
industrial e extrativo do país.
Segundo investigações e especialistas, facções
criminosas ampliaram presença em áreas da economia legal como combustíveis,
construção civil, transporte, hotelaria, mercado imobiliário, apostas, sistema
financeiro e serviços públicos.
Reportagem de O Globo mostrou que uma operação
policial identificou uma rede de 60 motéis no interior de São Paulo ligada a
negócios atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre os bens localizados nas investigações estavam
um iate de 23 metros, helicóptero, Lamborghini e mais de R$ 20 milhões em
terrenos.
As apurações também identificaram empresas
associadas ao grupo com atuação em um terminal do Porto de Paranaguá, no
Paraná, estrutura voltada à armazenagem de granéis líquidos.
Especialistas avaliam que facções como PCC e Comando
Vermelho (CV) vêm ampliando atuação em atividades econômicas formais,
aproveitando falhas regulatórias e brechas de fiscalização, sem abandonar
negócios ligados ao tráfico.
A classificação recente das duas organizações como
grupos terroristas pelos Estados Unidos também elevou o alerta no setor
produtivo.
O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mario
Sarrubbo, afirmou que a medida pode aumentar exigências para empresas
brasileiras em operações financeiras, investimentos e relações comerciais
ligadas ao mercado americano.
Já o pesquisador Roberto Uchôa avalia que setores
como o financeiro e o de combustíveis podem enfrentar controles mais rígidos de
conformidade para reduzir riscos de sanções.
A dimensão financeira do problema aparece ainda em
dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Somente nos
últimos três meses, o órgão registrou R$ 44,1 bilhões em movimentações
suspeitas ligadas a organizações criminosas no Rio de Janeiro.
Em São Paulo, estimativa do Ministério Público
aponta que receitas anuais atribuídas ao PCC em atividades da economia formal
podem chegar a R$ 12 bilhões.
Autoridades e especialistas afirmam que a
diversificação dos negócios das facções tornou o combate ao crime organizado
mais complexo, ampliando a necessidade de fiscalização financeira,
monitoramento permanente e mecanismos mais rígidos de compliance empresarial.

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