Comandada por Geraldo Alckmin, a reunião de
emergência da manhã de hoje no Palácio do Planalto para discutir o novo
tarifaço dos EUA foi feita sob uma orientação geral de Lula: os ataques e
críticas devem ser centrados na família Bolsonaro, poupando Donald Trump.
Em viagem a Goiás, Lula não participou da reunião,
em que estavam Dario Durigan, Márcio Rosa (Secretário-executivo e representante
do MDIC) e técnicos do Itamaraty (o chanceler Mauro Vieira está no exterior).
Mas telefonou para alguns ministros e assessores (incluindo Celso Amorim) hoje
cedo com essa diretriz.
Seguindo própria orientação, Lula não citou Trump em
suas declarações públicas de hoje. Desceu a borduna nos Bolsonaro e em Flávio
em especial:
— Ele foi pedir arrego. “'Trump, dá uma porrada no
Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, prejudica o
Lula'. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai
prejudicar é o povo brasileiro, os empresários brasileiros, o agronegócio.
Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São vendilhões da
Pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões
brasileiras. São traidores.
As falas de Alckmin e Durigan seguiram a toada do
chefe.
Disse Alckmin:
— O tarifaço é alimentado por falsos patriotas e
sabotadores.
Emendou Durigan:
—Mais uma vez, a família Bolsonaro faz um movimento
contrário ao PIX.
Não se sabe por quanto tempo o malabarismo de poupar
Trump vai durar. Mas o fato é que o Brasil precisa negociar com os EUA. Não é
prudente sair atirando. Mesmo depois do carinho do presidente americano em
Flávio, publicado em suas redes sociais.
Escreveu Trump:
""Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro
no Salão Oval da Casa Branca - um homem jovem e inteligente que ama muito o seu
país, o Brasil!"
O post foi divulgado no início da tarde. Um misto de
provocação e interferência (mais uma) dos EUA no processo eleitoral brasileiro.
Lauro Jardim - O Globo

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