sexta-feira, 1 de maio de 2026

Toffoli travou apuração contra advogado considerado “figura instrumental” de Vorcaro

 


O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu uma investigação contra um advogado apontado como “figura instrumental” do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. A notícia é do Metrópoles. 

Na decisão monocrática de 30 de setembro de 2025, Toffoli determinou o trancamento de uma investigação do Ministério Público do Maranhão (MPMA) sobre a contratação do escritório de advocacia de Daniel de Faria Jerônimo Leite pela Câmara Municipal de Imperatriz. O contrato rende ao escritório cerca de R$ 180 mil por ano.

O contrato entre o escritório de Daniel Leite e a Câmara Municipal foi firmado em abril de 2023. Em abril de 2025, a Câmara Municipal decidiu renovar o contrato sem realizar nova licitação — o que, para o MPMA, poderia configurar improbidade administrativa.

Na decisão, Toffoli argumenta que não há improbidade administrativa sem dolo, isto é, sem intenção deliberada de cometer irregularidade. O ministro afirmou ainda que não havia “lastro mínimo” para acusar o escritório e a Câmara Municipal.

Dias Toffoli foi o primeiro relator do caso Master no STF. No entanto, deixou de conduzir as investigações em 12 de fevereiro, após a imprensa revelar que ele manteve relação comercial com Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro.

Como mostrou a coluna, o resort operava um cassino com máquinas caça-níquel e mesas de carteado. A coluna procurou Dias Toffoli, por meio da assessoria de imprensa do STF, nesta segunda-feira (27), mas não houve resposta. O espaço segue aberto.

A relação de Daniel Leite com Vorcaro

Segundo investigação técnica da empresa Kroll, anexada a um processo movido pelo Banco de Brasília (BRB) contra Daniel Vorcaro, Daniel Leite atuou como “figura instrumental” de Vorcaro, de seu sócio Maurício Quadrado e do empresário João Carlos Mansur, da Reag.

A investigação da Kroll aponta que, em abril de 2025, Daniel Leite tomou um empréstimo de R$ 93,7 milhões e usou a maior parte dos recursos para comprar ações do BRB, por meio de fundos de investimento. Um deles, o Verbier, era administrado por Maurício Quadrado.

Para o BRB, Daniel Leite não teria capacidade patrimonial para obter esse empréstimo, já que seu patrimônio pessoal seria de cerca de R$ 6 milhões. No processo, o advogado — que também foi procurador municipal em São Luís — afirmou que a operação era compatível com seu patrimônio, estimado por ele em R$ 75 milhões.

 

 

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