A Polícia Federal pediu a volta do dono do Banco
Master, Daniel Vorcaro, para o presídio federal de Brasília. Atualmente, ele se
encontra preso na superintendência da PF no Distrito Federal. A solicitação
está no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que
ainda não tomou uma decisão sobre o assunto.
O pedido foi feito em 24 de abril - portanto, antes
da defesa de Vorcaro entregar uma proposta de delação premiada à PF e à
Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira. De acordo com fontes a
par do assunto, a medida indica a insatisfação dos investigadores com a demora
de Vorcaro em entregar os anexos de sua colaboração.
Após uma primeira leitura do material apresentado
nesta semana, os investigadores classificaram como "insuficientes" os
detalhes fornecidos pelo banqueiro. A PF já deixou claro que não pretende
assinar o acordo se Vorcaro não entregar informações inéditas sobre as
irregularidades praticadas pelo Master.
Segundo a coluna da Malu Gaspar, a proposta de
delação de Vorcaro não incluiu informações sobre os pagamentos mensais de até R$
500 mil supostamente feitos por ele ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Conforme
as investigações, as vantagens indevidas teriam sido pagas em troca da atuação
de Ciro no Senado em favor de interesses privados do banqueiro. Essas
informações constam da decisão de Mendonça, que autorizou hoje mandados de
busca e apreensão em endereços do parlamentar na nova fase da Operação
Compliance Zero.
Em nota, a defesa do senador repudiou "qualquer
ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação
parlamentar" e disse que ele está a disposição da Justiça para esclarecer
as suspeitas.
"[A defesa] reitera o comprometimento do
Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer
participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à
disposição para esclarecimentos. Pondera, por fim, que medidas investigativas
graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por
terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle
severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes
Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de
delações premiadas", diz o texto assinado pelo advogado Antônio Carlos de
Almeida Castro, o Kakay.
Histórico de prisões
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de
2025, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados
Árabes. A PF entendeu que se tratava de uma tentativa de fuga. O mandado foi
cumprido no âmbito da Operação Compliance Zero, que investigava um suposto
esquema de fraudes do Master estimadas em R$ 12 bilhões.
Um dia depois da prisão do seu dono, o Banco Master
foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em razão de uma crise de
liquidez e insolvência financeira. Essa decisão deflagrou a maior operação de
resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) - mais de R$ 50
bilhões.
Vorcaro viria a ser liberado da prisão no fim de
novembro. No mês seguinte, o ministro do STF Dias Toffoli acatou a um pedido da
defesa de Vorcaro e remeteu o processo ao Supremo sob a sua relatoria, além de
decretar sigilo máximo sob os autos.
Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou o caso após a
PF encontrar menções a ele no celular de Vorcaro. O magistrado foi substituído
pelo ministro André Mendonça, que em março decidiu prender novamente Vorcaro.
Para justificar a nova prisão do banqueiro, Mendonça
atendeu a um pedido da Polícia Federal que o apontava como líder de uma
organização criminosa voltada a vigiar e intimidar pessoas que contrariavam os
interesses do Master. A defesa de Vorcaro sempre negou todas as
irregularidades, mas começou a negociar uma delação premiada a partir daquele
mês.
O Globo

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