A 5ª fase da Operação Compliance Zero revelou que
uma empresa da qual senador Ciro Nogueira (PP-PI) é sócio adquiriu uma
participação societária com valor estimado em R$ 13 milhões por R$1 milhão - ou
seja: um deságio de R$ 12 milhões. Segundo a Polícia Federal, o benefício foi
articulado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo a decisão do ministro do STF, André
Mendonça, a negociação entre Ciro e Vorcaro se deu de forma indireta, por meio
de parentes do senador e do empresário, que também foram alvos da operação
deflagrada nesta quinta-feira (7).
Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, foi
apontado pela PF como operador financeiro de Daniel e dono da Green
Investimentos S.A., da qual o irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira
Lima, comprou 30%. A aquisição foi feita em nome da CNFL, empresa administrada
por Raimundo desde 2024 e que tem Ciro Nogueira como sócio.
De acordo com a representação policial, as ações da
Green teriam o valor aproximado de R$ 13.062.315,30 no mercado de ações e foram
negociadas pela CNFL pela quantia de R$1 milhão.
A Green também tinha participação acionária em outra
empresa, a Trinity Energia Renováveis S.A., que teve 20% dos dividendos anuais
precificadas em R$ 2,4 milhões. De acordo com a decisão, a CNFL receberia R$
720 mil destes dividendos.
Em nota enviada à CNN, a Trinity Energia Renováveis
afirmou que "o vínculo societário mencionado é de natureza estritamente
patrimonial e indireta, correspondendo a 33,92% do capital social por
intermédio do fundo de investimentos em participações (FIP) Green. Tal
participação não confere poderes de administração, gestão ou ingerência
operacional sobre as atividades do Grupo Trinity".
O valor foi apontado pela corporação como um
descompasso. O argumento foi que, no segundo ano após a aquisição das ações da
Green por parte da empresa de Ciro e Raimundo, "os valores recebidos em
razão de seus rendimentos ultrapassariam de forma significativa o montante
total pago pela sua integralização". Para a PF, essa transação indicaria
uma subvalorização das ações compradas.
A CNN entrou em contato com a defesa do parlamentar,
mas ainda não obteve retorno; a reportagem não localizou a defesa de Felipe
Vorcaro e de Raimundo Nogueira. O espaço segue aberto.
Os dados apresentados fizeram com que Mendonça
concluísse que a compra das ações não tiveram "mero vínculo fraternal ou a
atuação política regular", o que levanta suspeitas de que Ciro recebeu,
ainda que indiretamente, pagamentos do ex-dono do Master. Além das ações
"subvalorizadas", os investigadores verificaram, ainda, o comando de
Daniel Vorcaro ao primo para que a participação societária do negócio
facilitasse os dividendos "sem que a operação ingressasse no radar de
eventuais mecanismos de fiscalização".
Além da compra das ações, há a suspeita de que
Felipe repassasse pagamentos mensais ao senador por meio de empresas. As
quantias em favor de Ciro Nogueira teriam valor inicial de R$ 300 mil,
"com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a
importância de R$ 500 mil".
Felipe Vorcaro foi preso na operação desta quinta
feira, Ciro e seu irmão Raimundo, alvos de busca e apreensão.
O Progressistas, partido de Ciro Nogueira, divulgou
nota informando que espera que os "fatos ocorridos sejam devidamente
esclarecidos, com estrita observância ao amplo direito de defesa e ao devido
processo legal".
CNN Brasil

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