terça-feira, 19 de maio de 2026

Natal tem a segunda maior queda no potencial de consumo entre capitais

 


A economia da capital potiguar deve movimentar R$ 30,2 bilhões este ano, conforme revela o potencial de consumo do anuário IPC Maps 2026. O volume representa uma redução nominal (sem considerar a inflação) de 4,4% em relação a 2025, cujo potencial de consumo foi de R$ 31,6 bilhões. A queda é a segunda mais acentuada dentre as 21 capitais brasileiras que compõem os 50 maiores municípios do país analisados no levantamento, atrás apenas de Fortaleza (CE), que teve retração de 4,8%. Além disso, Natal caiu oito posições no ranking nacional do IPC, despencando da 29ª colocação em 2025 para a 37ª em 2026, o maior recuo entre os 50 maiores municípios do Brasil.

De acordo com Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, as reduções observadas se devem a dois fatores, fundamentalmente: a queda no número de domicílios em Natal e o enxugamento da classe C, que é protagonista inédita do consumo no País. “Os domicílios urbanos são a base de cálculo do potencial de consumo. Entre 2025 e 2026, a capital potiguar teve redução de 0,6% neste indicador, passando de 266.91 domicílios no ano passado, para 265.196 em 2026”, detalha Pazzini, ao discorrer sobre um dos fatores para a retração do potencial de consumo.

“E em 2026, também tivemos uma queda no eixo da pirâmide social: a classe B teve diminuição de 19,4% na cidade, enquanto a classe C reduziu 4,3%. Por outro lado, a classe D/E cresceu 18%, juntamente com a classe A (+12,5). A expansão da classe A, no entanto, não foi suficiente para compensar a migração social para as classes D e E”, detalhou Marcos Pazzini. De acordo com a pesquisa, em 2026, o consumo da classe C na capital deve movimentar R$ 10,7 bilhões. A classe B deverá injetar R$ 9 bilhões, seguida pelas classes A (R$ 6,7 bilhões) e D/E (R$ 4,1 bilhões).

A maior parte do consumo em Natal, de acordo com a pesquisa, acontece no setor de habitação – aluguel, contas de água, luz e pequenos reparos, dentre outros, com projeção de movimentar R$ 5,4 bilhões. Em seguida, vem outras despesas, como os serviços em geral, reformas e seguros (R$ 5,1 bilhões), consumo de alimentos no domicílio (R$ 3,7 bilhões), gastos com veículo próprio (R$ 3,6 bilhões) e alimentação fora do domicílio (R$ 2,2 bilhões).

Marcos Pazzini afirma que a presença de empresas em uma determinada região é primordial para melhorar os números. Neste aspecto, segundo ele, a capital potiguar vai bem, o que indica para uma recuperação do potencial de consumo na cidade nos próximos anos. “Em Natal, a quantidade de empresas saiu de 101 mil em 2025 para 111,5 mil neste ano, aumento de 10%. Isso é importante porque o consumo depende de renda que, por sua vez, depende de empregos, os quais dependem da instalação de empresas”, detalha.

“Então, a tendência é de recuperação desse potencial em 2027 e ao longo dos próximos anos”, complementa Pazzini. Além de Natal, Parnamirim, com potencial de consumo de R$ 11,7 bilhões, e Mossoró (R$ 9,3 bilhões) perderam posições entre 2025 e 2026 no ranking do anuário – Parnamirim passou da 120ª para a 125ª posição, e Mossoró, que estava no 142º lugar no ano passado, ocupa agora o 145º.

Entretanto, não houve redução nominal no potencial de consumo das duas cidades – Parnamirim teve alta de 7,8% (R$ 10,8 bilhões em 2025 contra R$ 11,7 bilhões este ano), e Mossoró registrou aumento de 2,7% (RS 9,1 bilhões para R$ 9,3 bilhões). A queda no ranking é justificada, de acordo com Marcos Pazzini, pelo fato de outros municípios brasileiros registrarem crescimento nominal maior do potencial de consumo do que essas duas cidades.

Impactos

O economista Janduir Nóbrega aponta que a redução no potencial de consumo em uma região pressiona a criação de empregos e geração de renda, com risco de agravar problemas já existentes. Ele cita que o cenário exige atenção por conta dos altos juros e também do endividamento das famílias, este último um problema recorrente na capital. “Os juros elevados encarecem o crédito e dificultam o acesso das empresas às diferentes formas de financiamento. As que conseguirem vencer essa barreira terão uma produtividade mais cara e, quem paga por isso é o consumidor final”, analisa.

“Na outra ponta, temos a redução e o comprometimento da renda das famílias, menos consumo e queda na geração de empregos, com efeitos em bola de neve. Para reverter o quadro, é preciso baratear o consumo, com a oferta de produtos ainda restritos por conta de fatores da economia externa e de fatores climáticos, aumentar a renda com geração de mais emprego, produtividade com eficiência e melhor remuneração para o bolso do trabalhador”, ensina o economista.

Potencial de consumo no RN terá leve alta

Já na análise por estados, o Rio Grande do Norte manteve estabilidade no ranking no comparativo dos dois anos, ocupando a 19ª posição tanto em 2025 quanto em 2026. O potencial de consumo, no entanto, revela uma leve expansão nominal do montante a ser injetado na economia potiguar. No ano passado, o potencial do estado ficou em R$ 101,8 bilhões.

Em 2026 o valor projetado é de R$ 102,4 bilhões (variação positiva de 0,5%). Habitação (R$ 17,5 bilhões), outras despesas (R$ 14,4 bilhões), alimentação no domicílio (R$ 12,5 bilhões), veículo próprio (R$ 10,3 bilhões) e alimentação fora do domicílio (R$ 6,9 bilhões) são os segmentos que mais devem movimentar o consumo no Rio Grande do Norte. As classes C (R$ 36,1 bilhões) e B (R$ 27,8 bilhões) são as que devem injetar maiores volumes, seguidas das classes D/E (R$ 16,2 bilhões) e A (R$ 12,4 bilhões), e do consumo rural (R$ 9,7 bilhões).

No Brasil, a economia irá movimentar R$ 8,6 trilhões ao longo do ano, apontando para um crescimento real de 2,3% ante o movimento positivo do Produto Interno Bruto (PIB), cuja atual expectativa é de 1,8%. Com mais dinheiro no bolso, a classe C representa quase R$ 2,6 trilhões (36,9%) dos gastos previstos em todo o País, liderando de forma inédita, de acordo com o estudo. Ainda que a categoria de veículo próprio chame a atenção, movimentando R$ 939,6 bilhões e comprometendo mais de 11,6% do orçamento familiar no país, os itens básicos seguem na prioridade de consumo das famílias: 25,3% dos desembolsos destinam-se à habitação; 18,6% a outras despesas; e 10,4% à alimentação e bebidas no domicílio.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Criminosos invadem Hospital Regional do Seridó, fazem funcionários reféns e roubam armas de vigilantes em Caicó

  Criminosos invadiram o Hospital Regional do Seridó, em Caicó, durante a madrugada desta terça-feira (19), renderam funcionários e tomaram ...