O advogado-geral da União, Jorge Messias, está
convencido de que foi apunhalado pelas costas dentro do próprio governo. Em
conversas reservadas após a derrota histórica no Senado, relatadas pelo
colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, com base em três aliados do ministro,
Messias chamou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), de
"traíra" e defendeu que o senador deveria pedir demissão da
liderança.
A queixa central é que Wagner induziu Lula ao erro.
Dois dias antes da votação, o líder calculava publicamente entre 44 e 50 votos
favoráveis, conforme reportagem do Valor Econômico. O número transmitia
segurança e impedia qualquer reação de última hora por parte do Planalto. Na
prática, Messias obteve apenas 34 votos favoráveis contra 42 contrários,
ficando sete abaixo do mínimo necessário. A margem de erro não foi de ajuste
fino: foi de pelo menos 10 votos, uma diferença que, na avaliação do entorno de
Messias, só se explica por má-fé ou negligência deliberada.
O que mais irritou Messias foram as imagens. Logo
após a derrota humilhante no plenário, câmeras flagraram Wagner abraçando
Alcolumbre e sorrindo. Para o advogado-geral da União e seu entorno, a cena foi
a prova visual da traição. Interlocutores de Wagner rebateram, dizendo que quem
o conhece sabe que se tratava de um "riso de nervoso" e que o líder
trabalhou intensamente pela aprovação. O próprio Messias não confirmou
publicamente a versão dos aliados, mas atribuiu a avaliação sobre Wagner ao que
chamou de "sentimento geral" entre seus apoiadores.

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