O mafioso italiano Vincenzo Pasquino afirmou em
delação que o PCC firmou uma parceria com a máfia italiana para financiar 50%
da cocaína enviada do Brasil para a Itália. Os detalhes do depoimento foram
revelados pelo jornalista Marcelo Godoy.
Pasquino foi preso em 2021, em João Pessoa, e
começou a colaborar com a Justiça em novembro de 2023, após deixar a
Penitenciária Federal de Brasília. Segundo ele, decidiu delatar porque foi
abandonado por pessoas em quem confiava. Em março de 2024, acabou extraditado
para a Itália.
No depoimento, o mafioso contou que atuava como intermediário
entre o PCC e famílias da máfia italiana ‘Ndrangheta. Segundo ele,
representantes de vários grupos italianos vieram ao Brasil em 2018 para fechar
acordos diretamente com integrantes da facção criminosa paulista.
Entre as famílias envolvidas estavam os Nirtas, da
região da Calábria. O esquema utilizava o porto de Gioia Tauro como principal
entrada da cocaína na Itália. A droga era distribuída principalmente no norte
do país e na Sicília.
Pasquino afirmou que o PCC vendia a cocaína por
cerca de 5 mil euros o quilo, valor que subia para 7,5 mil euros após custos
logísticos. Já a revenda na Itália chegava a valores entre 23 mil e 25 mil
euros por quilo.
O mafioso também revelou detalhes das rotas usadas
para transportar a droga. Segundo ele, em 2017 organizou o primeiro
carregamento saindo de Santos para a Itália. Ele afirmou ter sido pioneiro no
método de esconder cocaína sob a quilha de navios com ajuda de mergulhadores
colombianos.
Pasquino disse ainda que entrou para a ‘Ndrangheta
em 2011 e foi enviado ao Brasil para estruturar rotas marítimas de tráfico
internacional. Ele acabou condenado a 10 anos de prisão.

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