Havia, inicialmente, previsão de uma declaração
pública conjunta no Salão Oval após o almoço entre Lula e Trump. A reunião
ultrapassou o horário esperado e a coletiva foi cancelada. Esse detalhe diz
mais do que qualquer nota oficial.
A reunião na Casa Branca teve tom diplomático, mas a
ausência de coletiva conjunta e a cautela nos gestos indicam que os resultados
concretos ainda precisam ser medidos pelo tempo. Quem conhece Trump sabe que
ele usa a imprensa como palanque quando o encontro produziu resultados reais.
Abraço na frente das câmeras, aperto de mão longo, declaração inflamada. Nada
disso aconteceu.
A BBC News enfatizou o impacto do cancelamento da
coletiva, afirmando que houve surpresa entre repórteres credenciados na Casa Branca.
A emissora britâmica classificou o período de espera durante a agenda como um
jogo de espera, diante da falta de informações sobre o desfecho da reunião. A
Reuters chamou atenção para a ausência da declaração conjunta e ressaltou a
expectativa do governo brasileiro de avanços nas negociações.
A comitiva de Lula incluía cinco ministros de
Estado: Relações Exteriores, Justiça, Fazenda, Indústria e Minas e
Energia.
Cinco ministros, três horas de reunião, zero acordos
fechados e coletiva cancelada.
Trump postou nas redes que foi muito bom. Lula falou
em passo importante. Os marqueteiros dos dois lados trabalharam bem. Mas no
mundo real, tarifas continuam, minerais críticos seguem em negociação e nenhum
documento foi assinado.
Encontro diplomático sem resultado concreto tem nome
clássico na política internacional: foi uma foto. E foto, em ano eleitoral, é
tudo o que Lula precisava. O problema é que foto não derruba tarifa, não abre
mercado e não convence o eleitor que está pagando caro no mercado todo dia.

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