quarta-feira, 20 de maio de 2026

Leite sobe 3,66% na cesta básica de Natal

 


Fernando Azevêdo
Repórter

O litro do leite longa vida ficou 3,66% mais caro na cesta básica de Natal de abril, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O preço médio do item passou de R$ 6,28 em março para R$ 6,51. O impacto já é sentido no orçamento doméstico, mas representantes do setor dizem que os preços de venda ainda seguem os mesmos e apontam custos elevados.

O leite longa vida teve inflação de 13,85% no Brasil em maio, liderando as pressões inflacionárias ao consumidor no Índice Geral de Preços - 10, divulgado pela Fundação Getulio Vargas nessa segunda(18). O índice, no entanto, não analisa os preços do RN.

O economista Ediran Teixeira, técnico do Dieese no RN, explica que o IGP é um índice médio de inflação. Na análise da cesta básica de alimentos, apesar de haver altas, elas não foram tão expressivas: o preço do leite em Natal cresceu apenas 1,40% na variação de 12 meses, 3,66% no mês de abril e 6,03% no quadrimestre.

“Em relação ao ano anterior, os preços do leite ainda estão abaixo do ritmo da inflação. É preciso esperar o mês de maio correr para avaliar melhor essa variação. Todos os outros produtos de alimentação estão sendo afetados, a partir de abril, pela mudança de preços dos combustíveis”, diz Teixeira.

O economista lembra que, em 2025, o produtor de carne bovina no Brasil abateu matrizes – vacas que reproduzem – devido a uma pressão internacional por mais carne no mercado, o que diminuiu a produção de leite. Além disso, “neste momento estamos na entressafra da produção de leite”.

Já o economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon/RN), pontua que o aumento tem relação com a alta dos combustíveis e dos fertilizantes, no contexto do conflito no Oriente Médio.

A situação é “agravada ainda pela dependência do Brasil do fornecimento de 85% dos fertilizantes da região do conflito, o que está encarecendo os produtos industriais e, notadamente, os primários, como o leite longa vida”.

Com o abate de matrizes, o rebanho deve se recuperar lentamente, diz Valério. “Os preços devem continuar em alta, e a situação pode ser agravada diante dos prenúncios e dos efeitos do El Niño, que pode provocar estiagem em algumas regiões”.

A aposentada Vilma Alves e a artesã Eliane Tomaz afirmam que o preço do leite está “um absurdo”. Elas estavam fazendo compras em Natal nesta terça-feira (19) e disseram notar também preços maiores em derivados do leite, como manteiga e queijo.

“Todo dia tem que ter leite [na nossa casa]. Mas o leite, infelizmente, está muito caro”, afirma Eliane, que consome o item e seus derivados com muita frequência por gosto e por questões de saúde. “Em alguns supermercados tem uma promoçãozinha, mas na maioria está muito caro”, completa Vilma.

Erivam do Carmo, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do RN (Fetarn), diz que “o produtor, principalmente o agricultor familiar, não tem sentido essa alta de preço quando se trata da comercialização do leite para queijeiras e lacticínios”.

Segundo ele, pelo contrário, o produtor notou um aumento significativo dos insumos, como a ração concentrada, a torta de algodão, o farelo de milho e a soja. Outro fator que tem aumentado os custos da produção é a mão de obra, que em algumas cidades potiguares é escassa para uma jornada intensa no campo.

Já a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) aponta que a alta resulta de fatores conjunturais e estruturais, como a recomposição de preços ao produtor. “No meio rural, os custos seguem elevados, sobretudo com alimentação animal, energia elétrica, combustíveis e logística. Na atividade leiteira, a energia tem peso importante, enquanto os combustíveis impactam tanto o transporte da produção quanto os insumos utilizados nas propriedades”, frisa a entidade.

 

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