O juiz federal aposentado Odilon de Oliveira,
conhecido por condenar o traficante Fernandinho Beira-Mar e por sua atuação de
três décadas no combate ao crime organizado na fronteira entre Brasil, Paraguai
e Bolívia, declarou apoio à decisão dos Estados Unidos de classificar o
Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações
terroristas estrangeiras.
A medida foi anunciada pelo secretário de Estado dos
EUA, Marco Rubio, e entra em vigor em 5 de julho. Segundo Odilon, a classificação
está amparada na soberania de cada país para definir e enquadrar grupos que
considere terroristas.
“Concordo com o enquadramento americano do PCC e do
CV como grupos terroristas. Cada país, amparado por sua soberania, é livre para
conceituar terrorismo e classificar como tal atos praticados por qualquer
grupo”, afirmou em entrevista ao Estadão.
O ex-magistrado citou os ataques promovidos pelo PCC
em São Paulo em 2006 e a expansão do Comando Vermelho no Rio de Janeiro como
exemplos de ações que sustentam a classificação adotada por Washington. Para
ele, as facções possuem armamento, estrutura e capacidade operacional que
representam uma ameaça relevante.
Odilon também descartou que a decisão americana
represente uma afronta à soberania brasileira. Segundo ele, o presidente Donald
Trump apenas utilizou instrumentos previstos na legislação dos Estados Unidos
para enquadrar as facções, sem impor ao Brasil a mesma definição.
Além de apoiar a medida, o juiz aposentado fez um
alerta sobre o avanço do crime organizado no país. Segundo ele, as facções
ampliaram sua influência ao longo dos anos e já conseguem se infiltrar em
estruturas da administração pública. Apesar disso, avalia que a eliminação
completa de grupos como PCC e Comando Vermelho é inviável. “A eliminação do PCC
e do CV é impossível. A redução de suas atividades delinquenciais, sim”,
afirmou.
Aos 76 anos, vivendo em Campo Grande (MS), Odilon
afirma que continua sob ameaça do crime organizado. Por causa de sua atuação
contra traficantes e contrabandistas, mantém uma rotina cercada por rígidas
medidas de segurança e limita suas saídas de casa.
Gazeta do Povo

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