A sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada
pela Polícia Federal na última quinta-feira, revelou que o grupo de hackers
subordinado ao banqueiro Daniel Vorcaro tentou acessar ilegalmente o celular do
colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo a investigação, o núcleo
cibernético do esquema, apelidado internamente de "Os Meninos", era
especializado em ataques digitais contra adversários, jornalistas e autoridades
que pudessem ameaçar os interesses do dono do Banco Master.
A tentativa de invasão do aparelho do jornalista faz
parte de um padrão mais amplo de intimidação e obstrução de justiça já
identificado pela PF. Em março, Vorcaro foi preso preventivamente após surgir
indícios de que havia ordenado um "assalto forjado" para
"prejudicar violentamente" Lauro Jardim, como destacou o ministro
André Mendonça, relator do caso no STF. A ação contra o colunista foi
classificada pelo próprio O Globo como uma tentativa de "calar a voz da
imprensa" e gerou manifestações de repúdio de autoridades de diversos
espectros políticos.
As revelações aprofundam o perfil criminoso
atribuído a Vorcaro, cujo esquema, segundo a PF, operava em quatro núcleos:
financeiro, corrupção institucional, ocultação patrimonial e intimidação. Os
oito celulares apreendidos do banqueiro — dos quais apenas parte de um foi
analisada até abril — devem fornecer novas evidências. O caso reforça o debate
sobre a proteção de jornalistas no Brasil e a gravidade das ameaças à liberdade
de imprensa orquestradas a partir do sistema financeiro.

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