O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministro Edson Fachin, deve receber parlamentares nos próximos dias para
discutir a chamada Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso após a derrubada
do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre integrantes da
Corte, a avaliação é que Fachin acompanha com atenção a reação política à decisão
de Alexandre de Moraes de suspender a norma.
O GLOBO apurou que Fachin indicou a pessoas próximas
que aguarda a liberação do caso para pauta por Moraes antes de determinar a
inclusão das ações na pauta, respeitando o trâmite regular dentro do STF. O presidente,
contudo, sinalizou que, uma vez liberado o processo, não deve demorar para
incluir o julgamento na pauta.
Integrantes do STF afirmam ainda que parlamentares
procuraram o presidente da Corte nos últimos dias para tratar da Lei da
Dosimetria e que ele deve recebê-los em audiências reservadas ao longo da
semana.
Um ministro do STF afirmou que a decisão de Moraes
de suspender temporariamente a aplicação da nova lei nas execuções penais do 8
de janeiro segue uma lógica processual comum diante da judicialização do tema.
Segundo esse magistrado, como ações diretas de
inconstitucionalidade já foram apresentadas à Corte, o relator abriu prazo para
ouvir os envolvidos e optou por manter, por ora, o cenário atual nas execuções,
evitando mudanças sucessivas de entendimento antes da análise do
plenário.
As ações que questionam a Lei da Dosimetria chegaram
ao STF na sexta-feira e ficaram sob relatoria de Moraes após livre
distribuição. O ministro já adotou as primeiras medidas no caso e suspendeu,
temporariamente, a aplicação da nova lei a execuções penais relacionadas aos
condenados pelos atos de 8 de janeiro até que o plenário analise o mérito das
ações.
Na decisão, Moraes afirmou que a existência de ações
diretas de inconstitucionalidade contra a norma cria um “fato processual novo e
relevante”, recomendando cautela para evitar insegurança jurídica.
O ministro também determinou a abertura do rito
previsto na Lei das ADIs, solicitando informações à Presidência da República e
ao Congresso Nacional no prazo de cinco dias. Depois, os autos seguirão para
manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da
República (PGR).
O Globo

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