O governo dos Estados Unidos endureceu o discurso
contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Ao
Metrópoles, fontes do Departamento de Estado dos EUA revelaram com
exclusividade alguns dos instrumentos que serão adotados após as classificações
das duas facções brasileiras como terroristas.
A partir de 5 de junho, quando a medida entra em
vigor, qualquer pessoa ou empresa — dentro dos Estados Unidos ou fora — que se
envolver em transações financeiras ou materiais com integrantes do PCC e do CV
poderá sofrer sanções, responder criminalmente e até ser deportada do
território norte-americano.
A medida faz parte da estratégia do governo do
presidente Donald Trump de ampliar o combate internacional às organizações
criminosas ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.
Ao Metrópoles, fontes no Departamento de Estado
informaram que o governo Trump utilizará instrumentos de segurança nacional
para combater organizações criminosas brasileiras.
“Realizar transações com membros do Comando Vermelho
ou do Primeiro Comando da Capital acarreta riscos em relação às autoridades
responsáveis pelas sanções antiterrorismo, não apenas para pessoas que não são
cidadãos dos EUA, mas também para residentes permanentes legais e cidadãos
americanos.”
Segundo o Departamento de Estado, indivíduos e
empresas que ofereçam apoio aos grupos poderão ser alvo de medidas severas das
autoridades norte-americanas.
“Indivíduos e entidades que forneçam apoio material
ou recursos ao Comando Vermelho ou ao Primeiro Comando da Capital enfrentarão
acusações criminais e inadmissibilidade ou remoção dos Estados Unidos.”
PCC e CV tornam-se organizações terroristas
para os EUA
Segundo os Estados Unidos, CV e PCC serão incluídos
em duas listas de terrorismo na próxima sexta-feira, 5 de junho.
Departamento de Estado dos EUA afirma que as redes
das facções “se estendem muito além das fronteiras do Brasil” e afetam
diretamente a segurança dos EUA.
O governo norte-americano incluiu as facções
brasileiras em duas listas: a de “organizações terroristas estrangeiras” e a de
“terroristas globais especialmente designados”.
A medida amplia o alcance jurídico das punições
previstas pela legislação norte-americana.
Além disso, abre caminho para bloqueio de bens,
restrições financeiras, sanções internacionais e responsabilização criminal de
indivíduos e empresas que mantenham relações com os grupos.
O anúncio ocorre um dia após o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) revelar que pediu pessoalmente a Trump que classificasse as
facções brasileiras como organizações terroristas.
O que muda com a classificação
O enquadramento como Organização Terrorista
Estrangeira permite que o governo dos Estados Unidos amplie mecanismos de
repressão financeira e criminal contra integrantes e colaboradores das facções.
Na prática, cidadãos, empresas ou instituições que
mantenham relações comerciais, financeiras ou operacionais com os grupos podem
passar a ser investigados pelas autoridades norte-americanas.
Metrópoles

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