Ministros do STF mantêm
cordialidade nos corredores e na sala de lanches, mas assessores confirmam um
clima de tensão interna na Corte. O estopim foi o escândalo do Banco
Master, que envolveu diretamente Alexandre de Moraes e Dias
Toffoli. A informação é do Estadão.
A mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci,
assinou contrato com o banqueiro Daniel Vorcaro, e o Banco Master declarou
ter pago R$ 80,2 milhões ao escritório dela em 22 meses. Toffoli recebeu ao
menos R$ 35 milhões por meio de uma empresa ligada a um fundo do mesmo
banqueiro.
A divisão ficou visível na posse de Kassio
Nunes Marques na presidência do TSE: apenas Gilmar
Mendes e André Mendonça foram à festa, enquanto os
demais compareceram só à cerimônia formal. Relatos de presentes descrevem
ministros do STF que conversavam com colegas de outros tribunais, mas não entre
si.
O tribunal se dividiu em dois grupos. Fachin
reúne Cármen Lúcia, Fux, Mendonça e Nunes
Marques. Do outro lado estão Moraes, Gilmar, Zanin e Dino.
Toffoli, inicialmente no segundo grupo, avalia migrar para o campo de Fachin.
A tensão já vazou para o plenário. Em março,
Mendonça foi derrotado por 8 a 2 na derrubada de sua decisão sobre a CPI do
INSS, e Gilmar interveio durante o voto de Fux para reivindicar autoria de um
precedente citado sem ser nomeado.
As críticas reservadas miram dois alvos: Moraes,
pelo envolvimento com o Banco Master, e Fachin, acusado por parte dos ministros
de não defender o tribunal com vigor diante das acusações contra colegas. Em
abril, Gilmar disse publicamente que Fachin errou ao propor um código de ética
para a Corte.
A ausência em eventos sociais passou a funcionar
como termômetro da crise. No lançamento de um livro em homenagem a Gilmar,
apenas quatro dos outros nove ministros compareceram. Na abertura de
conferência organizada por Fachin, só Zanin e Moraes apareceram.
A diferença em relação a crises anteriores é que o STF
não tem inimigo externo desta vez. Nos governos Bolsonaro e após o 8 de
Janeiro, os ministros se uniram. Agora, a disputa é interna e sem data para
encerrar.

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