Por trás da queixa de Jorge Messias contra Jaques
Wagner existe uma suspeita que vai além da incompetência política: a de que o
líder do governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tinham
um interesse em comum para derrubar a indicação. O alvo, segundo aliados de
Messias ouvidos pelo Metrópoles e pelo O Globo, era evitar o fortalecimento do
ministro do STF André Mendonça, relator do caso do Banco Master e principal
cabo eleitoral de Messias na campanha pela aprovação.
A lógica é direta: com Messias no Supremo, Mendonça
ganharia um aliado de peso na Corte. Isso desagradava tanto Alcolumbre quanto
Wagner, ambos com aliados diretamente expostos nas investigações sobre o banco
de Daniel Vorcaro. Como revelou a coluna de Milena Teixeira, no Metrópoles, uma
nora do líder do governo recebeu R$ 11 milhões do Banco Master.
O próprio Wagner já havia admitido, ainda em
fevereiro, que ficou em "saia justa" com a indicação de Messias, já
que Alcolumbre e a maioria dos senadores preferiam o nome de Rodrigo Pacheco.
"Eu sou representante do governo no Senado, não ao contrário", disse
ao portal A Tarde. Relida à luz da derrota, a frase ganha outro significado:
para Messias e seus aliados, Wagner nunca comprou de fato a briga pela
indicação.
A colunista Mônica Bergamo, da Folha, revelou que
aliados de Lula já defendem a demissão do ministro da Justiça, Wellington Lima
e Silva, apadrinhado de Wagner, como resposta ao fiasco. A pergunta que ninguém
no governo consegue responder com clareza é: Jaques Wagner errou o cálculo ou
acertou o plano?

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