A Polícia Federal bateu à porta de Ciro Nogueira
nesta quinta-feira (7). O senador e presidente do PP é apontado como
"destinatário central" de vantagens indevidas pagas por Daniel
Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação indica mesadas de R$ 300 mil,
viagens de luxo e até a entrega de envelope com texto de emenda parlamentar
para beneficiar o banco. O STF autorizou bloqueio de R$ 18,85 milhões. O primo
de Vorcaro, Felipe Vorcaro, foi preso por suspeita de ter operacionalizado os
repasses.
O que a operação desta manhã recoloca nos holofotes
é algo que o próprio Ciro Nogueira gostaria de manter em segundo plano: sua
longa história de aliança com o PT. Antes de virar ministro da Casa Civil de
Bolsonaro e se consolidar como nome forte da direita, o senador do Piauí foi
base fiel dos governos Lula e Dilma. O PP, sob seu comando, ocupou ministérios
e cargos estratégicos durante toda a era petista. A relação era tão próxima que
Lula o chamava de "Cirinho". E Ciro não escondia o afeto. "Eu
sei que o Lula gosta de mim e eu gosto dele", declarou em entrevista ao
Valor Econômico em 2023.
A conversão à oposição veio com o bolsonarismo. Em
2021, Ciro assumiu a Casa Civil de Jair Bolsonaro e se tornou um dos principais
articuladores do governo. Com a derrota em 2022, migrou para o papel de
opositor feroz. Ao longo de 2025, publicou mais de 90 postagens atacando Lula e
o PT. Mas o pragmatismo nunca saiu de cena. Em dezembro de 2025, procurou Lula
na Granja do Torto para negociar apoio à sua reeleição ao Senado pelo Piauí,
estado onde o petismo domina com mais de 76% dos votos. Em fevereiro deste ano,
cessou os ataques públicos e iniciou conversas com dirigentes do PT sobre
composições regionais.
Esse é o perfil que a PF agora investiga: um
político que transita entre governos, partidos e ideologias conforme o cálculo
de sobrevivência exige. A relação com Vorcaro, segundo os investigadores, seguia
a mesma lógica. Ciro teria atuado em favor do banqueiro no Congresso em troca
de vantagens financeiras. O senador era descrito pelo próprio Vorcaro como um
de seus "grandes amigos de vida".
A operação desta quinta atinge Ciro num momento de
fragilidade. Ele buscava se viabilizar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro
ou, ao menos, como coordenador da campanha presidencial da direita. Esse plano
agora está sob escombros. No Piauí, sua reeleição ao Senado também ficou mais
difícil. O governador Rafael Fonteles (PT) e o ministro Wellington Dias já
resistiam à reaproximação. Com a busca e apreensão autorizada pelo STF, o custo
político de qualquer aliança com Ciro subiu exponencialmente.
O senador ainda não se manifestou sobre a operação.
Mas sua trajetória fala por si. De "Cirinho" de Lula a ministro de
Bolsonaro, de opositor digital a negociador silencioso na Granja do Torto, Ciro
Nogueira sempre soube trocar de lado. A questão agora é se o lado que ele
escolheu no caso Master tem saída.

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