quinta-feira, 7 de maio de 2026

Alvo da PF no caso Master, Ciro Nogueira tem histórico de aliança com o PT e proximidade com Lula



A Polícia Federal bateu à porta de Ciro Nogueira nesta quinta-feira (7). O senador e presidente do PP é apontado como "destinatário central" de vantagens indevidas pagas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação indica mesadas de R$ 300 mil, viagens de luxo e até a entrega de envelope com texto de emenda parlamentar para beneficiar o banco. O STF autorizou bloqueio de R$ 18,85 milhões. O primo de Vorcaro, Felipe Vorcaro, foi preso por suspeita de ter operacionalizado os repasses.

O que a operação desta manhã recoloca nos holofotes é algo que o próprio Ciro Nogueira gostaria de manter em segundo plano: sua longa história de aliança com o PT. Antes de virar ministro da Casa Civil de Bolsonaro e se consolidar como nome forte da direita, o senador do Piauí foi base fiel dos governos Lula e Dilma. O PP, sob seu comando, ocupou ministérios e cargos estratégicos durante toda a era petista. A relação era tão próxima que Lula o chamava de "Cirinho". E Ciro não escondia o afeto. "Eu sei que o Lula gosta de mim e eu gosto dele", declarou em entrevista ao Valor Econômico em 2023.

A conversão à oposição veio com o bolsonarismo. Em 2021, Ciro assumiu a Casa Civil de Jair Bolsonaro e se tornou um dos principais articuladores do governo. Com a derrota em 2022, migrou para o papel de opositor feroz. Ao longo de 2025, publicou mais de 90 postagens atacando Lula e o PT. Mas o pragmatismo nunca saiu de cena. Em dezembro de 2025, procurou Lula na Granja do Torto para negociar apoio à sua reeleição ao Senado pelo Piauí, estado onde o petismo domina com mais de 76% dos votos. Em fevereiro deste ano, cessou os ataques públicos e iniciou conversas com dirigentes do PT sobre composições regionais.

Esse é o perfil que a PF agora investiga: um político que transita entre governos, partidos e ideologias conforme o cálculo de sobrevivência exige. A relação com Vorcaro, segundo os investigadores, seguia a mesma lógica. Ciro teria atuado em favor do banqueiro no Congresso em troca de vantagens financeiras. O senador era descrito pelo próprio Vorcaro como um de seus "grandes amigos de vida".

A operação desta quinta atinge Ciro num momento de fragilidade. Ele buscava se viabilizar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro ou, ao menos, como coordenador da campanha presidencial da direita. Esse plano agora está sob escombros. No Piauí, sua reeleição ao Senado também ficou mais difícil. O governador Rafael Fonteles (PT) e o ministro Wellington Dias já resistiam à reaproximação. Com a busca e apreensão autorizada pelo STF, o custo político de qualquer aliança com Ciro subiu exponencialmente.

O senador ainda não se manifestou sobre a operação. Mas sua trajetória fala por si. De "Cirinho" de Lula a ministro de Bolsonaro, de opositor digital a negociador silencioso na Granja do Torto, Ciro Nogueira sempre soube trocar de lado. A questão agora é se o lado que ele escolheu no caso Master tem saída.

 

 

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