Depois de passar dias chamando Donald Trump de tudo
nos palanques, o governo Lula descobriu que bravata não paga conta. O ministro
da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o presidente pretende telefonar ao
americano para tentar reverter a classificação do PCC e do Comando Vermelho
como organizações terroristas. É o roteiro previsível de quem grita para a
plateia interna, mas se acovarda diante da realidade.
O constrangimento é evidente. O mesmo Planalto que
chamou a medida de "interferência" agora corre atrás do telefone,
repetindo a fórmula adotada no tarifaço do ano passado. A diplomacia do berro
deu lugar à diplomacia do pedido de socorro.
O Brasil refém da própria omissão
O ponto que ninguém no governo quer admitir é por
que o Brasil chegou aqui. Foram anos de complacência com o avanço das facções,
de discurso de "coitadismo" do crime e de desidratação das forças de
segurança. Quando um país estrangeiro precisa apontar o óbvio — que PCC e CV
são organizações terroristas —, o atestado de falência da política de segurança
nacional já foi passado.
Lula pode até reverter a medida na base do
telefonema. O que ele não reverte é a percepção de que governa um país onde o
crime organizado opera com liberdade. E essa fatura, diferentemente da ligação,
não tem desconto.

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