De olho no eleitorado conservador e na necessidade
de reduzir a rejeição em nichos específicos, o pré-candidato do PL à
Presidência, o senador Flávio Bolsonaro, iniciou a busca por uma vice em sua
chapa. A estratégia central, por ora, foca em duas mulheres com forte apelo
religioso e regional, mas em estágios diferentes de aproximação: a deputada
federal Simone Marquetto (MDB-SP) e a deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE).
A escolha envolve uma equação de geografia, fé e
influência eleitoral. Marquetto significa uma busca por consolidar o voto
católico e assegurar o domínio no maior colégio eleitoral do País, São Paulo.
Já Tércio é uma aposta para romper a resistência de Flávio no Nordeste,
utilizando sua forte penetração no segmento evangélico.
Até a definição, que pode ocorrer até o final deste
semestre, outros nomes podem ser apresentados ao pré-candidato. A certeza é
que, mais uma vez, em 2026 a religião será usada na disputa eleitoral.
A decisão de Flávio passará obrigatoriamente pelos
números. Dados recentes mostram que o filho zero um do ex-presidente Jair
Bolsonaro tem a preferência absoluta entre os evangélicos, mas a disputa pelo
voto católico — maior grupo religioso do Brasil — dá vantagem ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo levantamento AtlasIntel de março, Flávio
Bolsonaro lidera com 65,4%% entre evangélicos; Lula alcança 54,2% entre
católicos.
A avaliação do governo Lula também mostra a
diferença entre os dois grupos. De acordo com a mais recente pesquisa
Genial/Quaest, 61% dos evangélicos desaprovam o governo do petista. Entre os
católicos a avaliação fica empatada tecnicamente - 49% aprovam e 47% não.
Os bastidores das negociações para vice de Flávio
Bolsonaro
As conversas com Simone Marquetto, defendida pela
ala paulista do PP para compor a vice na chapa de Flávio, são as mais maduras.
O presidenciável já teve um contato direto com a parlamentar. Eles se reuniram
na terça-feira, 7, em São Paulo, no Palácio Tangará, a pedido do próprio
Flávio. Marquetto, ex-prefeita de Itapetininga, é vista como um nome moderado
que pode suavizar a imagem da chapa sem perder a conexão com os valores da
família.
Por outro lado, o diálogo com Clarissa Tércio ainda
ocorre por meio de emissários e lideranças partidárias. Tércio é uma figura da
ala mais radical do bolsonarismo em Pernambuco, estado onde a influência das
igrejas evangélicas tem crescido exponencialmente. A avaliação no PL é que ela
poderia ser o antídoto para a baixa performance de Flávio na região Nordeste.
Quem é Simone Marquetto, próxima do Frei Gilson e
ex-MDB
Ligada ao Frei Gilson e a outras lideranças
religiosas, Simone Marquetto se consolidou como uma das principais
representantes da Igreja Católica no Congresso. Nas redes sociais, ela atua
como uma espécie de influenciadora religiosa, divulgando sua participação em
eventos pelo País ligados à imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida.
A deputada se apresenta como um nome de centro-direita,
com atuação voltada à defesa de pautas religiosas. Ela é autora da lei que
criou o Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria e também da sessão solene em
homenagem à visita da imagem peregrina de São Miguel Arcanjo, vinda do Monte
Gargano, na Itália, ao Brasil.
Quem é Clarissa Tércio, bolsonarista raiz e filha de
pastor
Clarissa Tércio está em seu primeiro mandato de
deputada federal e tem 41 anos. Antes de chegar à Câmara, foi deputada estadual
pelo PSC. Ela é filha do pastor Francisco Tércio, presidente da Assembleia de
Deus Novas de Paz, e casada com o também pastor Júnior Tércio, que foi o
deputado estadual mais votado de Pernambuco em 2022.
Ela foi uma das políticas que protestaram na porta
de um hospital no Recife, em 2020, onde uma criança de 10 anos realizou um
aborto após sofrer estupros recorrentes pelo tio. Ela e outros deputados
chegaram a invadir o hospital, o que fez a Polícia Militar ficar na porta para
impedir os religiosos.
Clarissa também chegou a ser investigada por
participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, mas o ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o
arquivamento do inquérito que investigava a suposta participação da deputada.
Tereza Cristina era a candidata a vice dos sonhos de
Valdemar Costa Neto
Como mostrou a Coluna do Estadão, a senadora Tereza
Cristina (PP-MS), que era considerada o nome mais forte, foi taxativa ao dizer
que não faz parte dos seus planos concorrer a vice em nenhuma chapa do campo da
direita. A senadora foi taxativa em entrevista exclusiva: “Não sou candidata a
vice-presidente e não cabe nos meus projetos”, afirmou.
Ela era a candidata dos sonhos do presidente do PL,
Valdemar Costa Neto. Como apurou a Coluna, até chegou a brincar com o
presidente do partido diante das citações recorrentes do dirigente ao seu nome
para ser vice de Flávio. Tereza disse a Valdemar, de quem é amiga de longa
data, que, caso um dia ela fosse candidata a presidente da República,
escolheria Valdemar para ser vice na chapa.
Roseann Kennedy - Estadão

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