quarta-feira, 29 de abril de 2026

TANGARAENSE - DESCASO REPETIDO NO RANCHO CIGANO DE TANGARÁ: 25 anos de promessas e descaso no Rancho dos Ciganos em Tangará; VEJA O VÍDEO

 


Enquanto os holofotes das campanhas eleitorais brilham sobre as cores vibrantes das vestimentas ciganas e as audiências públicas produzem fotos impecáveis para redes sociais, a realidade no Rancho dos Ciganos, em Tangará (RN), é pintada com tons de lama, exclusividade e abandono.

Há mais de um quarto de século, a comunidade Calon de Tangará resiste. Não é uma resistência poética de livros de história, mas uma sobrevivência brutal. São 25 anos vivendo em barracas de lona e madeira, sem o básico para a dignidade humana. Quando as nuvens carregam e a chuva cai, o que para muitos é alívio, para essas famílias é o início de um pesadelo: a lama invade os lares, as doenças proliferam e a insegurança se torna vizinha de quarto.

A Voz das Mulheres: O Relato da Dor Real

Recentemente, a União dos Ciganos deu um passo decisivo. Através de um vídeo contundente, as mulheres da comunidade quebraram o silêncio. São elas que sentem na pele a dificuldade de manter a higiene dos filhos sem saneamento, que tentam proteger o pouco que têm da fúria das águas e que veem seus maridos e anciãos serem ignorados pelo poder público.

“Nossa cultura é usada para dar destaque a político em época de eleição, mas quando a urna fecha, a lona da nossa barraca continua rasgada”, relata uma das lideranças, evidenciando o uso oportunista da identidade cigana.

Um Ciclo de Promessas Vazias

O histórico de Tangará com a comunidade cigana é um museu de grandes novidades que nunca chegam.

  • Em 2019, sob a gestão de Jorginho Bezerra, a II Audiência Pública prometia “discussão habitacional”.
  • Em gestões anteriores, como as de Gija e Alcimar Germano, comitivas, secretarias de assistência social e representantes da Defesa Civil visitaram o local.
  • Homenagens e datas comemorativas rendem placas e discursos bonitos na Câmara Municipal, mas o chão onde as crianças brincam continua sendo o barro batido e insalubre.

Cultura que Resiste, Estado que Omite

O Rancho de Tangará é um território de história e saberes. Ali se preserva a espiritualidade, a língua e a tradição de um povo que ajuda a construir a identidade do Rio Grande do Norte. No entanto, o reconhecimento cultural não pode servir de anestesia para a falta de infraestrutura.

A pergunta que fica para as autoridades municipais, estaduais e para o Ministério Público é: Até quando a tradição será usada como desculpa para a negligência? Viver em barracas por opção cultural é uma coisa; viver em condições sub-humanas por falta de políticas habitacionais é violação de direitos humanos.

O Que a Comunidade Exige:

1.     Dignidade Habitacional: Projetos concretos de moradia que respeitem a cultura cigana, mas garantam saneamento e proteção contra as chuvas.

2.     Acesso Real a Serviços: Saúde e educação que cheguem ao acampamento de forma efetiva, não apenas em visitas esporádicas.

3.     Fim do Uso Político: Que a cultura Calon seja respeitada o ano todo, e não apenas em maio (Mês do Cigano) ou em anos de eleição.

As famílias do Rancho dos Ciganos de Tangará não querem mais homenagens em papel. Elas querem teto, chão firme e respeito. A história viva de Tangará está gritando por socorro. Quem vai ter a coragem de, finalmente, ouvir?

 


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