Representantes das principais federações
empresariais do Rio Grande do Norte avaliam com cautela a proposta de possível
extinção da escala de trabalho 6×1 no Brasil e defendem que qualquer alteração
no modelo atual seja precedida de amplo debate com o setor produtivo. As
manifestações, repercutidas pelo portal e jornal AGORA RN, convergem na preocupação com
efeitos sobre custos operacionais, geração de empregos e competitividade das
empresas.
Presidente da Federação das Empresas de Transporte
de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras afirma que mudanças
abruptas na jornada podem pressionar ainda mais um setor que já enfrenta
dificuldades financeiras. Segundo ele, o transporte público opera com margens
reduzidas e depende de escalas contínuas para manter a oferta de serviços. A
avaliação é de que uma eventual redução de dias trabalhados sem ajustes
estruturais poderia resultar em aumento de custos e impacto nas tarifas.
Já o presidente da Federação das Indústrias do Rio
Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, tem defendido que alterações na
jornada precisam considerar a realidade da produção e a necessidade de manter a
competitividade. Ele aponta que mudanças no regime de trabalho, sem ganho
equivalente de produtividade, podem comprometer a capacidade de investimento
das empresas e afetar a manutenção de postos de trabalho.
No comércio e serviços, a Federação do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio), presidida por Marcelo Queiroz,
também tem sinalizado preocupação com a proposta. O setor, caracterizado por
funcionamento em horários estendidos e forte dependência de mão de obra, avalia
que a flexibilização das jornadas é essencial para atender à demanda dos
consumidores. A entidade defende que qualquer alteração leve em conta a
diversidade de atividades e permita modelos adaptáveis.
Já o presidente da Federação da Agricultura,
Pecuária e Pesca do RN (Faern), José Vieira, ressalta as especificidades do
setor agropecuário, onde as atividades seguem ciclos naturais e não podem ser
rigidamente ajustadas a escalas fixas. Para ele, mudanças na legislação
trabalhista precisam respeitar essas particularidades, sob risco de comprometer
a produção.
De forma geral, as entidades convergem na defesa de
um debate técnico e gradual sobre o tema. A avaliação predominante é de que a
discussão sobre o fim da escala 6×1 deve envolver não apenas trabalhadores, mas
também empregadores e especialistas, com análise dos impactos econômicos e
setoriais.
As federações também apontam que experiências
internacionais e estudos sobre produtividade devem embasar qualquer proposta de
mudança, evitando decisões que possam gerar insegurança jurídica ou
desorganização nos setores produtivos.

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