sábado, 11 de abril de 2026

Receita deu o troco em Moraes e desmontou tese da defesa de Viviane Barci

 


Existe uma ironia difícil de ignorar no fato de que a Receita Federal tenha se tornado a principal fonte de constrangimento para o ministro Alexandre de Moraes. O mesmo órgão cujos técnicos foram alvo de perseguição e intimidação pelo magistrado agora entrega, com frieza burocrática e precisão contábil, os documentos que desmontam a narrativa do escritório da família Moraes sobre o uso de jatinhos do Banco Master.

Os números são eloquentes. Documentos fiscais encaminhados à CPI do Crime Organizado mostram que o Banco Master pagou R$ 80,2 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia em 22 meses, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. São 22 parcelas de aproximadamente R$ 3,6 milhões. O escritório é da esposa de Moraes, Viviane Barci, e também emprega os dois filhos do ministro.

A versão apresentada pelo escritório era simples: os voos no jatinho de Vorcaro seriam fretamentos, com o valor descontado dos honorários mensais pagos pelo banco. Uma explicação conveniente, se fosse verdade. Acontece que os documentos da Receita apontam pagamento integral de todas as parcelas, sem qualquer abatimento ou retenção referente ao suposto aluguel do avião. Não há nota fiscal, registro contábil ou comprovante de transferência que sustente a versão do desconto. A justificativa simplesmente não existe nos números.

E o problema fiscal é inescapável. Independentemente de o uso do jatinho ser classificado como locação ou doação, o benefício econômico auferido obriga o recolhimento de tributos. IRRF, PIS, Cofins, CSLL, possivelmente IOF ou ITCMD. Nada indica que qualquer um deles tenha sido pago. O que era uma tentativa de explicação contábil pode se converter em indício concreto de irregularidade fiscal.

O contexto torna tudo mais revelador. Moraes construiu parte de sua atuação recente no STF intimidando servidores da Receita Federal, pressionando técnicos e tratando o órgão como obstáculo. Agora, são exatamente os dados produzidos por esses mesmos servidores que expõem as fragilidades da versão oficial da família do ministro. A burocracia tem memória longa e o Leão não costuma perdoar. Quando a Receita entrega documentos à CPI com essa precisão cirúrgica, é difícil não enxergar um recado institucional: ninguém está acima do Fisco.

O ministro que se acostumou a censurar, bloquear e perseguir agora experimenta o gosto amargo de ter suas contas dissecadas em praça pública. A diferença é que, desta vez, quem fala são os números. E números não aceitam censura.

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

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