quinta-feira, 30 de abril de 2026

O silêncio do STF sobre a derrota de Messias não é acaso: Alexandre de Moraes já havia vencido nos bastidores

 


A reação do Supremo Tribunal Federal à rejeição de Jorge Messias no Senado foi cirúrgica em sua neutralidade. E esse silêncio calculado diz mais do que qualquer pronunciamento oficial jamais diria.

Em nota divulgada na manhã desta quinta-feira (30), a Presidência do STF limitou-se a dizer que "reafirma seu respeito à prerrogativa constitucional do Senado Federal" e que "aguarda, com serenidade, as providências constitucionais cabíveis para o preenchimento da vaga". Nenhuma crítica. Nenhum desconforto. Nenhum sinal de que o tribunal pretenda questionar o resultado. Para quem acompanha os bastidores de Brasília, essa postura não é acidental. É o desfecho de uma articulação que começou antes mesmo da votação.

Segundo reportagem do Diário do Estado de Goiás e fontes ouvidas pela Folha de S.Paulo, o ministro Alexandre de Moraes desempenhou papel central na resistência à indicação de Messias. A articulação não foi pública. Moraes não discursou, não publicou notas, não deu entrevistas. Mas sinalizou, por canais indiretos, que não via com bons olhos a chegada do AGU ao tribunal. A leitura que se faz é a seguinte: Moraes, que hoje conduz os processos mais sensíveis do STF, incluindo os inquéritos do 8 de Janeiro e das fake news, temia que a entrada de alguém com lealdade primária ao Planalto pudesse alterar a correlação de forças internas da Corte. Messias, como AGU, foi braço jurídico do governo nas ações que sustentaram condenações, mas acumulou atritos com o próprio Moraes por disputas de protagonismo e competência.

Essa sinalização funcionou como uma espécie de autorização velada para que senadores votassem contra sem medo de retaliação do Judiciário. Davi Alcolumbre, que já tinha suas próprias razões para barrar Messias, teria recebido esse sinal como o elemento que faltava para não se empenhar pela aprovação. O resultado prático: o STF, institucionalmente, já havia absorvido a possibilidade da derrota antes mesmo de o painel do Senado ser aberto.

A nota oficial do Supremo não é apenas diplomática. É estratégica. Segundo O Globo, ministros do STF ficaram "atônitos" com o resultado, mas a avaliação interna é de que qualquer reação seria contraproducente. A Corte já enfrenta desgaste com o Congresso, que aprovou pacotes restringindo poderes do Judiciário, e o clima político favorece a pauta anti-STF. Reagir à derrota de Messias significaria legitimar a narrativa de que o Supremo interfere em decisões do Legislativo, dar munição à oposição que já fala abertamente em impeachment de ministros e agravar o rompimento entre os Poderes em pleno ano eleitoral. Por isso, a postura foi clara: aceitar o resultado, manter a compostura e deixar o desgaste recair inteiramente sobre Lula.

No fim das contas, Alexandre de Moraes conseguiu algo raro na política brasileira: influenciou o resultado sem se expor. Não precisou votar, discursar ou publicar nada. Bastou não apoiar Messias e deixar que Alcolumbre e a oposição fizessem o trabalho. Com isso, Moraes preserva três coisas ao mesmo tempo: seu espaço de poder dentro do STF sem a chegada de um aliado direto de Lula, sua relação com o Senado que o enxerga como alguém que respeita a autonomia da Casa, e sua imagem institucional ao não se envolver publicamente em disputas políticas.

O STF não vai se meter na derrota de Messias porque, nos bastidores, já se meteu antes. E obteve exatamente o resultado que queria.

 

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