O senador Sergio Moro (PL/PR) usou o feriado de
Tiradentes, nesta segunda-feira (21), para fazer duras críticas ao governo
Lula. Em discurso nas redes sociais e em evento alusivo à data, o pré-candidato
ao governo do Paraná comparou a gestão petista à Coroa Portuguesa do século
XVIII, afirmando que o Brasil vive uma nova "derrama" de impostos.
Segundo Moro, se Joaquim José da Silva Xavier estivesse vivo, "já teria se
revoltado contra Lula".
A declaração segue uma estratégia que Moro já adotou
em anos anteriores. Em 2023, durante cerimônia em Ouro Preto (MG) a convite do
governador Romeu Zema (Novo), o senador fez comparação semelhante, afirmando
que Tiradentes "deu o exemplo de que não devemos aceitar pacificamente o
aumento de imposto para gastos desnecessários". Neste ano, porém, o tom
foi mais incisivo: Moro ampliou a crítica para incluir o Supremo Tribunal
Federal, sugerindo que o país enfrenta não apenas uma crise tributária, mas
também uma ameaça à liberdade de expressão e ao equilíbrio entre os Poderes.
O contexto político dá peso extra à fala. Moro se
prepara para disputar o governo do Paraná em outubro de 2026 e, segundo
pesquisa recente, seria eleito em primeiro turno se a eleição fosse hoje. O
senador também protagonizou embate direto com o Palácio do Planalto ao anunciar
que votará pela derrubada do veto de Lula ao Projeto de Lei da dosimetria das
penas do 8 de janeiro, prevista para o dia 30 de abril no Congresso. Na visão
de Moro, as condenações impostas pelo STF aos manifestantes foram "cruéis
e desproporcionais".
A oposição tem utilizado o feriado de 21 de abril
como data simbólica para reforçar a narrativa de resistência contra o governo.
Ao vincular a imagem de Tiradentes, considerado mártir da liberdade, à pauta de
redução de impostos e crítica ao Judiciário, Moro busca consolidar sua posição
como principal nome da direita no Sul do país. O governo federal não se
manifestou sobre as declarações até o fechamento desta notícia.

Nenhum comentário:
Postar um comentário