A Polícia Federal (PF) identifica a página Choquei
não apenas como um perfil midiático, mas como uma peça estratégica dentro do
esquema que movimentou mais de 260 bilhões de reais envolvendo o cantor MC Ryan
SP. Segundo documentos obtidos pela coluna, o perfil teria sido utilizado para
promover uma espécie de “lavagem de reputação” dos investigados.
O responsável pela página, Raphael Sousa Oliveira,
aparece ligado diretamente ao núcleo financeiro do grupo, com recebimento de
valores e atuação na blindagem de imagem. “Agente associado às PJs em suposto
smurfing fiscal operando recebimentos de Tiago e Ryan para suposta blindagem
moral corporativa e de influências nas apostas online.”
A investigação indica que a página teria sido
utilizada para promover plataformas de apostas ilegais e, ao mesmo tempo,
suavizar ou abafar crises envolvendo integrantes do esquema.
“Raphael recebeu tais valores para divulgar links de
afiliação (CPA) ou rifas, conferindo-lhe indevida publicidade e legitimidade,
além da possibilidade de ter havido um trabalho de gestão de imagem, para
tentar abafar publicamente as polêmicas envolvendo ‘Mc Ryan’ ”
A polícia identificou ainda repasses diretos ao
responsável pela página, sem intermediação formal de empresas. “Ryan Santana
dos Santos transferiu R$ 270.000,00 em 10/10/2024 a 16/10/2025. Transferência
direta de Pessoa Física para Pessoa Física. A ausência de intermediação das
pessoas jurídicas dos envolvidos impede a rastreabilidade fiscal do serviço,
sugerindo informalidade, distribuição de lucros não contabilizados ou ocultação
patrimonial. Assim, acredita-se que o pagamento se refere a “Blindagem de
Imagem”, “Lavagem de Reputação”.”
Ainda segundo a PF, o responsável pela página teria
centralizado valores elevados em conta pessoal, caracterizando possível
confusão patrimonial.
Operação
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia
Federal na quarta-feira (15/4), com a participação de mais de 200 policiais. Ao
todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária.
Segundo a PF, o grupo investigado pode ter
movimentado mais de R$ 260 bilhões. Foram apreendidos dinheiro em espécie,
veículos de luxo, armas, além de documentos e equipamentos eletrônicos.
Entre os presos estão MC Ryan SP, apontado como
principal beneficiário do esquema, além de MC Poze do Rodo, Raphael Sousa
Oliveira, responsável pela página Choquei, o influenciador Chris Dias e sua
esposa, Débora Paixão.
De acordo com as autoridades, o esquema utilizava
empresas do ramo artístico e digital para misturar receitas legais com dinheiro
de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas
virtuais.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2
bilhões em bens ligados aos investigados.

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