O Irã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz,
anunciou a Guarda Revolucionária neste sábado, 18. A declaração foi feita após
a fala do presidente Donald Trump de que o bloqueio americano aos portos
iranianos “permanecerá em pleno vigor” até que Teerã chegue a um acordo com os
Estados Unidos, inclusive sobre seu programa nuclear.
“O controle
do Estreito de Ormuz voltou ao seu estado anterior... sob a gestão e o controle
rigorosos das forças armadas”, informou a Guarda Revolucionária, acrescentando
que continuaria a bloquear o Estreito enquanto o bloqueio dos EUA aos portos
iranianos permanecesse em vigor.
A disputa em torno do estreito ameaça agravar a
crise energética global. Na sexta-feira, os preços do petróleo haviam recuado,
impulsionados pela expectativa de um possível acordo entre os dois países.
Cerca de um quinto do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, e novas
restrições podem reduzir ainda mais a oferta, pressionando novamente os preços.
O controle da via se consolidou como um dos
principais instrumentos de pressão do Irã e levou os Estados Unidos a enviarem
forças militares e a iniciarem um bloqueio aos portos iranianos. A medida faz
parte de uma tentativa de forçar o país a aceitar um cessar-fogo mediado pelo
Paquistão para encerrar quase sete semanas de conflito envolvendo Israel, EUA e
Irã.
O Irã havia anunciado a reabertura total do estreito
para embarcações comerciais após a trégua de 10 dias entre Israel e o grupo
Hezbollah, apoiado por Teerã, no Líbano. No entanto, após a declaração de Trump
sobre a continuidade do bloqueio, autoridades iranianas afirmaram que a posição
dos EUA viola o acordo de cessar-fogo firmado na semana passada e alertaram que
a rota não permaneceria aberta nessas condições.
A empresa de análise de dados Kpler informou que o
tráfego na região segue restrito a corredores que dependem de autorização do
governo iraniano. Desde o início do bloqueio, na segunda-feira, 13, forças
americanas já obrigaram 21 navios a retornarem, segundo o Comando Central dos
EUA.
Cessar-fogo no Líbano pode influenciar
negociações entre EUA e Irã
A trégua no Líbano pode contribuir para avanços nas
negociações entre Washington e Teerã. Ainda assim, não está claro até que ponto
o Hezbollah cumprirá o acordo, já que o grupo não participou diretamente das
negociações e o entendimento prevê a permanência de tropas israelenses em uma
faixa do sul do país.
Em outra publicação, Trump afirmou que Israel está
“proibido” de realizar novos ataques ao Líbano e que “já basta” em relação ao
conflito com o Hezbollah. O Departamento de Estado americano esclareceu que a
restrição se aplica apenas a ações ofensivas, não incluindo situações de
autodefesa.
Pouco antes da declaração de Trump, o
primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que o país aceitou o
cessar-fogo “a pedido do meu amigo, o presidente Trump”, mas afirmou que a
campanha contra o Hezbollah ainda não foi concluída. Segundo ele, cerca de 90%
do arsenal de mísseis e foguetes do grupo já foi destruído, mas as operações
seguem em andamento.
Em Beirute, famílias deslocadas começaram a retornar
ao sul do Líbano e aos subúrbios da capital, apesar dos alertas das autoridades
para que aguardassem a consolidação do cessar-fogo.
O Exército libanês e forças de paz da ONU relataram
bombardeios esporádicos em áreas do sul do país nas horas seguintes ao início
da trégua.
O fim do conflito entre Israel e o Hezbollah era uma
das principais exigências do Irã nas negociações. Teerã havia acusado Israel de
violar o cessar-fogo anterior com ataques ao Líbano, enquanto o governo
israelense sustentava que o acordo não incluía o território libanês.
Os combates deixaram ao menos 3.000 mortos no Irã,
mais de 2.290 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dezena nos países árabes do
Golfo. Treze militares americanos também morreram.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão,
Ishaq Dar, afirmou nesta sexta-feira, 17, que um acordo entre EUA e Irã está
“muito próximo” e que diplomatas paquistaneses estão trabalhando para “superar”
as divergências entre os EUA e o Irã.
(Com agências internacionais)
Estadão Conteudo

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