Um delegado recém-aposentado da Polícia Civil do RN
publicou nas redes sociais um texto em que relata críticas à corporação após
deixar o cargo, em março de 2026, quando completou o tempo legal para
aposentadoria. “A polícia está doente e doença terminal”, escreveu.
No texto, Antônio Pinto afirma ter atuado por mais
de duas décadas na instituição e descreve situações que, segundo ele,
envolveram perseguições internas, falta de critérios técnicos em promoções e
interferências no funcionamento do órgão.
De acordo com o relato, promoções teriam ocorrido
com base em apadrinhamento político, enquanto servidores que buscam atuar de
forma ética enfrentariam dificuldades e processos administrativos. Ele
também menciona ter sido alvo de diversas transferências ao longo da carreira e
relata pressões institucionais.
Apesar das críticas, Antônio Pinto afirma que deixou
colegas que considera comprometidos com a função pública, mas que estariam fora
dos espaços de decisão.
Leia a íntegra abaixo:
Finalmente em março 2026, tendo
completado o tempo legal exigido me aposentei da Policia Civil. Confesso que
nunca pensei chegar a esse momento devido as sacanagens perpetuadas contra a
minha pessoa. Jamais pensei que num órgão público, que deveria se esforçar pela
aplicação do princípio da legalidade, houvesse tanto desvio a esse sagrado
princípio constitucional.
Quem está fora não tem ideia do que se
passa. Ingressei na policia, pode se dizer, sem querer ou por acaso. Confesso
que fui pelo dinheiro, pelo salário que oferecia um certo conforto, mas
eticamente não valeu a pena.
Me arrependi de ter me desviado dos meus
objetivos antes traçados. 21 anos na instituição, dando sangue, suor e lágrima,
todas minhas promoções vieram do Judiciário. As vagas são determinados pelo
apadrinhamento politico, hierarquia só se for pelo salário.
Mesmo assim há uma pressa em atingir o
topo da carreira. Eram exigidos 20 anos no mínimo para classe especial, foi
baixado para 18 e já se fala de reduzir para 15 anos. O RN assim será uma mina
de ouro para esses jovens concurseiros.
Cansei de ver recém chegados pular para
o topo, sem entender o milagre, embora soubesse. Minha ficha funcional é um
livro, de tão grosso que é, devido as múltiplas transferências injustificadas.
Era só lembrado para carregar pedras, assim cheguei a dirigir quase 10(dez)
delegacias no interior, com cobranças do Ministério Público e Judiciário.
Cobranças que na realidade são ameaças.
Que se concretizavam nos encaminhamentos a corregedoria, com consequente
instauração de procedimento administrativo para expulsão, com aplauso da
Direção da Polícia Civil. O intuito era um só, me ver fora da polícia ou me
humilhar, só que me subestimaram. Por isso os derrotei.
A polícia está doente e doença terminal,
na medida em que, quem tem ética e está disposto a agir corretamente e
perseguido, enquanto os malfeitos são agraciados. Quando completei meu tempo,
me aposentei de véspera, só aguardando o dia chegar e DEUS me atendeu. Deixei
colegas, amigos, grandes delegados, cujos nomes omiti aqui, para o bem deles.
Pena que estão fora dos centros das decisões, mas poderiam fazer a diferença ,
adequar esse tão importante órgão para a segurança do País.


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