Enquanto o banqueiro Daniel Vorcaro ainda patina nas
negociações para uma colaboração premiada no Caso Master, a delação do empresário
Maurício Camisotti, um dos pivôs da “Farra do INSS“, avançou mais uma casa.
Nos últimos dias, segundo apurou a coluna, o
ministro do STF André Mendonça enviou o material da delação fechada por
Camisotti com a Polícia Federal (PF) para análise da Procuradoria-Geral da
República (PGR).
Mendonça recebeu a colaboração premiada do
empresário no início da semana passada. O ministro, porém, decidiu consultar a
instância máxima do Ministério Público Federal (MPF) antes de decidir se
homologa ou não o acordo.
Segundo fontes do Supremo ouvidas pela coluna sob
reserva, caberá à PGR analisar, por exemplo, se há falhas na delação de
Camisotti ou se será necessário algum tipo de complementação.
A delação do empresário foi a primeira assinada no
âmbito da Operação Sem Desconto, que apura o esquema de desvios em
aposentadorias e pensões do INSS revelado pelo Metrópoles em 2025.
Na delação, segundo fontes da PF, Camisotti
confessou a existência de fraudes nos descontos das aposentadorias, explicou a
sistemática das fraudes e relatou o envolvimento de políticos e dirigentes do
INSS.
A expectativa da defesa do empresário é de que
Mendonça autorize a transferência dele para prisão domiciliar após homologar a
delação. Camisotti está preso em regime fechado desde setembro do ano passado.
Delação de Vorcaro patina
Já a delação de Vorcaro, de acordo com fontes do
Supremo, ainda segue na fase inicial de negociação com a PGR e com a PF. Nessa
etapa, o banqueiro narra aos investigadores dos dois órgãos o que pode revelar.
O dono do Banco Master, porém, tem encontrado
algumas dificuldades. “A PGR não vai aceitar qualquer coisa. Nem a PF”, afirmou
à coluna, sob reserva, uma fonte que está diretamente envolvida nas tratativas.
Essa fonte lembra que, para que a delação de Vorcaro
seja fechada e enviada para André Mendonça homologar, a PGR e a PF precisarão
estar de acordo.
Fontes do Supremo ponderam, contudo, que o fato de a
delação de Camisotti sobre a Farra do INSS estar mais avançada não significa
que ela será homologada antes da colaboração de Vorcaro.
Ministros do STF ouvidos pela coluna sob anonimato
lembram que, antes da homologação final dos acordos, os processos de delação
premiada costumam ser marcados por muitas “idas e vindas”.
Igor Gadelha - Metrópoles

Nenhum comentário:
Postar um comentário