O empresário Maurício Camisotti, preso desde
setembro de 2025 por envolvimento no esquema bilionário de fraudes no INSS,
assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. A confirmação veio
nesta quarta-feira (9) e já provocou uma onda de tensão em Brasília,
especialmente entre aliados do governo.
O motivo do nervosismo tem nome: Fábio Luís Lula da
Silva, o Lulinha. Em depoimentos anteriores e nas apurações da CPMI do INSS, o
filho do presidente Lula já havia sido citado como possível sócio oculto de
Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado como um
dos líderes do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
O vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr.,
chegou a afirmar publicamente que delações já apontavam o envolvimento de
Lulinha. O senador Sérgio Moro foi além e classificou o filho do presidente
como "personagem central" das fraudes. A base governista, por sua
vez, tem atuado para barrar requerimentos que ampliem a investigação nessa
direção.
A delação de Camisotti foi negociada pelos advogados
Átila Machado e Celso Vilardi, nomes com histórico em grandes colaborações da
Lava-Jato. O material já foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF,
responsável pela homologação. A expectativa é de que Camisotti obtenha prisão
domiciliar em troca das informações.
Ainda não se sabe o conteúdo completo da delação,
mas o cenário preocupa o Palácio do Planalto. Se as revelações confirmarem
ligações entre o esquema do INSS e o entorno familiar do presidente, o PT pode
enfrentar um desgaste político severo a poucos meses das eleições de 2026. A
CPMI já aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, o que deve
manter o tema no centro do noticiário nas próximas semanas.
A fraude no INSS, que lesou milhões de aposentados e
pensionistas em todo o país, já é considerada um dos maiores escândalos do
governo Lula. A delação de Camisotti pode ser o fio que puxa o novelo para mais
perto do Planalto.
Com informações da Folha de S.Paulo, O Globo e R7.

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