sábado, 18 de abril de 2026

Caso Master faz 5 meses com R$ 29 bilhões bloqueados e 14 mandados de prisão

 


A Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Banco Master, completa cinco meses neste sábado (18). Desde a deflagração de sua primeira fase, a investigação já resultou no bloqueio de cerca de R$ 29 bilhões e no cumprimento de 14 mandados de prisão.

A quarta fase, deflagrada na última quinta-feira (17), mirou a atuação do BRB. O foco, segundo investigadores, está na suspeita de corrupção relacionada às operações entre o banco estatal e o Master. Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. Entre os presos está o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Cunha.

Após a prisão, o ex-chefe do BRB foi transferido da Superintendência da PF (Polícia Federal) para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Agora, Cunha aguarda que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgue, na próxima quarta-feira (22), se mantém sua prisão.

Segundo as apurações, Cunha teria recebido seis imóveis pagos por Vorcaro como propina para viabilizar a aquisição de carteiras consideradas fraudulentas.

Ao longo das quatro fases, a investigação do Caso Master avançou de suspeitas iniciais sobre operações financeiras irregulares para indícios de corrupção de agentes públicos, obstrução de Justiça e ameaças violentas.

Quatro fases

A primeira fase, deflagrada em 18 de novembro de 2025, teve como foco as fraudes em operações de compra e venda de créditos entre o Master e o BRB. Segundo as investigações, ativos inexistentes ou fraudulentos eram usados como lastro para justificar a compra do banco de Vorcaro pela instituição ligada ao Governo do Distrito Federal.

Na ocasião, foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva, incluindo o de Vorcaro e de quatro diretores do Master. Vorcaro foi detido ao tentar deixar o país com destino a Dubai. Também houve dois mandados de prisão temporária, 25 de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 1,3 bilhão.

Na segunda fase, os investigadores ampliaram o escopo para fraudes no sistema financeiro nacional atribuídas à gestão do banco, com uso de estruturas complexas envolvendo fundos de investimento em diferentes camadas.

Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, além da prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também detido ao tentar viajar para Dubai. O bloqueio de valores nessa fase chegou a R$ 5,7 bilhões.

Todas as fases da operação precisam ser autorizadas pelo STF, que também enfrentou turbulências na condução do caso. Pouco após a deflagração da segunda etapa, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso após pressão interna na Corte e uma das maiores crises de credibilidade do tribunal.

Toffoli vinha sendo alvo de críticas por decisões como a imposição de sigilo máximo e mudanças sucessivas no armazenamento de provas. Em um dos episódios, determinou que todo o material apreendido fosse lacrado e enviado diretamente ao Supremo, medida contestada pela Polícia Federal e posteriormente revista. Também vieram a público informações sobre ligações financeiras entre familiares do ministro e um fundo ligado ao Banco Master, o que ampliou o desgaste.

Em fevereiro, o ministro André Mendonça foi sorteado o novo relator do caso. Pouco depois, foi deflagrada a terceira fase da operação. Essa etapa, segundo a PF, foi uma decorrência direta das provas obtidas no material apreendido nas fases anteriores.

O foco nesse momento foram suspeitas de obstrução de Justiça, corrupção de agentes públicos e ameaças violentas de Vorcaro contra jornalistas. Foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva. Vorcaro, que nesse momento já tinha tido a primeira prisão aliviada para medidas cautelares mais brandas, foi preso novamente, dessa vez em presídio federal de segurança máxima.

Zettel, que tinha sido preso apenas temporariamente, também foi detido de forma preventiva nessa etapa.

Outro aliado de Vorcaro, Luiz Phillipi Mourão, também foi preso nesse momento. Conhecido como Sicário, ele é considerado pela PF como responsável pelo monitoramento de pessoas que agiam de forma contrária aos interesses do banqueiro. No mesmo dia da detenção, Mourão atentou contra a própria vida na cela da PF e faleceu.

Ainda nesta fase, também foram realizados 15 mandados de busca e apreensão e dois servidores do Banco Central foram afastados sob suspeita de repassar informações privilegiadas e prestar “consultoria informal” ao banco. O volume bloqueado naquele dia saltou para R$ 22 bilhões.

A investigação a respeito das fraudes no sistema financeiro continuam e podem ser alavancadas com uma possível delação de Daniel Vorcaro. Conforme mostrou a CNN, a defesa do ex-banqueiro sinalizou ao STF que faria uma colaboração premiada “forte”, envolvendo personagens dos Três Poderes. A expectativa é de que o material seja apresentado em maio ao Supremo.

CNN Brasil

 

 

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