A Operação Compliance Zero, que apura fraudes
envolvendo o Banco Master, completa cinco meses neste sábado (18). Desde a
deflagração de sua primeira fase, a investigação já resultou no bloqueio de
cerca de R$ 29 bilhões e no cumprimento de 14 mandados de prisão.
A quarta fase, deflagrada na última quinta-feira
(17), mirou a atuação do BRB. O foco, segundo investigadores, está na suspeita
de corrupção relacionada às operações entre o banco estatal e o Master. Foram
cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. Entre
os presos está o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Cunha.
Após a prisão, o ex-chefe do BRB foi transferido da
Superintendência da PF (Polícia Federal) para o Complexo Penitenciário da
Papuda, em Brasília. Agora, Cunha aguarda que o STF (Supremo Tribunal Federal)
julgue, na próxima quarta-feira (22), se mantém sua prisão.
Segundo as apurações, Cunha teria recebido seis
imóveis pagos por Vorcaro como propina para viabilizar a aquisição de carteiras
consideradas fraudulentas.
Ao longo das quatro fases, a investigação do Caso
Master avançou de suspeitas iniciais sobre operações financeiras irregulares
para indícios de corrupção de agentes públicos, obstrução de Justiça e ameaças
violentas.
Quatro fases
A primeira fase, deflagrada em 18 de novembro de
2025, teve como foco as fraudes em operações de compra e venda de créditos
entre o Master e o BRB. Segundo as investigações, ativos inexistentes ou
fraudulentos eram usados como lastro para justificar a compra do banco de Vorcaro
pela instituição ligada ao Governo do Distrito Federal.
Na ocasião, foram expedidos cinco mandados de prisão
preventiva, incluindo o de Vorcaro e de quatro diretores do Master. Vorcaro foi
detido ao tentar deixar o país com destino a Dubai. Também houve dois mandados
de prisão temporária, 25 de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 1,3 bilhão.
Na segunda fase, os investigadores ampliaram o
escopo para fraudes no sistema financeiro nacional atribuídas à gestão do
banco, com uso de estruturas complexas envolvendo fundos de investimento em
diferentes camadas.
Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão,
além da prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também detido
ao tentar viajar para Dubai. O bloqueio de valores nessa fase chegou a R$ 5,7
bilhões.
Todas as fases da operação precisam ser autorizadas
pelo STF, que também enfrentou turbulências na condução do caso. Pouco após a
deflagração da segunda etapa, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do
caso após pressão interna na Corte e uma das maiores crises de credibilidade do
tribunal.
Toffoli vinha sendo alvo de críticas por decisões
como a imposição de sigilo máximo e mudanças sucessivas no armazenamento de
provas. Em um dos episódios, determinou que todo o material apreendido fosse
lacrado e enviado diretamente ao Supremo, medida contestada pela Polícia
Federal e posteriormente revista. Também vieram a público informações sobre
ligações financeiras entre familiares do ministro e um fundo ligado ao Banco
Master, o que ampliou o desgaste.
Em fevereiro, o ministro André Mendonça foi sorteado
o novo relator do caso. Pouco depois, foi deflagrada a terceira fase da
operação. Essa etapa, segundo a PF, foi uma decorrência direta das provas
obtidas no material apreendido nas fases anteriores.
O foco nesse momento foram suspeitas de obstrução de
Justiça, corrupção de agentes públicos e ameaças violentas de Vorcaro contra
jornalistas. Foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva. Vorcaro, que
nesse momento já tinha tido a primeira prisão aliviada para medidas cautelares
mais brandas, foi preso novamente, dessa vez em presídio federal de segurança
máxima.
Zettel, que tinha sido preso apenas temporariamente,
também foi detido de forma preventiva nessa etapa.
Outro aliado de Vorcaro, Luiz Phillipi Mourão,
também foi preso nesse momento. Conhecido como Sicário, ele é considerado pela
PF como responsável pelo monitoramento de pessoas que agiam de forma contrária
aos interesses do banqueiro. No mesmo dia da detenção, Mourão atentou contra a
própria vida na cela da PF e faleceu.
Ainda nesta fase, também foram realizados 15
mandados de busca e apreensão e dois servidores do Banco Central foram
afastados sob suspeita de repassar informações privilegiadas e prestar
“consultoria informal” ao banco. O volume bloqueado naquele dia saltou para R$
22 bilhões.
A investigação a respeito das fraudes no sistema
financeiro continuam e podem ser alavancadas com uma possível delação de Daniel
Vorcaro. Conforme mostrou a CNN, a defesa do ex-banqueiro sinalizou ao STF que
faria uma colaboração premiada “forte”, envolvendo personagens dos Três
Poderes. A expectativa é de que o material seja apresentado em maio ao Supremo.
CNN Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário