Nunca se falou tanto por aqui de jatos executivos,
por conta da quantidade de vezes em que autoridades dos três Poderes aceitaram
carona na frota de Daniel Vorcaro (foto). Uma compilação de dados da Federal
Aviation Administration (FAA) e da Eurocontrol (que atua no gerenciamento de
tráfego aéreo) mostra que o Brasil é, acredite, o segundo país do mundo em
número de aviões executivos (2.700). Embora bem atrás dos Estados Unidos (23
mil), o país está à frente da frota de outras grandes nações, como a China
(800).
O Banco Master, naturalmente, não inventou esse tipo
de lobby a 30.000 ou 40.000 pés de altura, muitas vezes em voos internacionais.
A promiscuidade é antiga e já alcançou gente de quase todos os credos — a
começar por Bolsonaro e Lula. Um “Air Vorcaro” esteve à disposição da campanha
eleitoral bolsonarista em 2022, transportando pelo país o jovem cabo eleitoral
Nikolas Ferreira.
Já Lula, também em 2022, eleito, mas não empossado,
foi à Conferência do Clima no Egito, a COP27, em um jato particular de José
Seripieri Filho, influente empresário do setor de saúde e dono da Amil.
Mas, em matéria de mordomia aérea, ninguém, acho,
supera, até agora, Ernane Galvêas, em 1981, em plena ditadura. O então ministro
da Fazenda, retornando de Nova York para o Rio em um voo direto da Varig, cheio
de passageiros, ordenou ao comandante que fizesse uma parada em Brasília para
que ele desembarcasse. Que coisa feia!
Ancelmo Gois - O Globo

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