O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de
Moraes, determinou busca e apreensão na residência do jornalista do Maranhão
Luis Pablo Conceição Almeida, conhecido como Luis Pablo.
Moraes ordenou a apreensão de celulares e notebook
após a publicação de reportagens em que Luis Pablo apontou suposto uso
irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares
de Flávio Dino em São Luís (MA). A medida foi cumprida terça-feira (10).
Segundo a decisão proferida por Moraes, obtida pela
CNN, “há indícios relevantes de que o representado incorreu na prática do crime
previsto no artigo 147-A do Código Penal (crime de perseguição), sem prejuízo
de outras condutas eventualmente relacionadas, a partir de publicações
realizadas na internet e em redes sociais, atentando contra ministro do Supremo
Tribunal Federal”.
Moraes também menciona uma série de reportagens
publicada pelo jornalista em seu blog desde o dia 20 de novembro. A série
começou com um conteúdo intitulado “Carro pago pelo Tribunal de Justiça do
Maranhão é entregue a Flávio Dino e usado por sua família em São Luís”. O
jornalista aponta na série que o carro oficial do TJ-MA é utilizado pela
família do ministro para se deslocar pela cidade.
Segundo Moraes, o conteúdo indica “que o autor da
publicação se valeu de algum mecanismo estatal para identificação e
caracterização dos veículos empregados, que permitiriam a exposição indevida
relacionada à segurança de autoridades”.
Moraes afirmou que “no que diz respeito às condutas
gravíssimas de LUÍS PABLO CONCEIÇÃO ALMEIDA, verifico que foram praticadas em
modus operandi semelhante ao da organização criminosa investigada nos autos do
Inq. 4781/DF (inquérito das Fake News)”.
À CNN, o jornalista encaminhou a
seguinte nota:
“Recebi a decisão com serenidade e
respeito às instituições. Sou jornalista há muitos anos e sempre exerci minha
profissão com responsabilidade, tratando de temas de interesse público. As
reportagens que motivaram a investigação foram produzidas dentro da atividade
jornalística. mConfio que, ao longo do processo, ficará demonstrado que o trabalho
realizado está amparado pelas garantias constitucionais da liberdade de
imprensa e pelo direito ao sigilo da fonte, que são pilares do jornalismo em
uma democracia. Embora tenha havido divulgação institucional parcial dos fatos
em canais oficiais (Gov.com), deixarei de prestar novos esclarecimentos neste
momento, em respeito à decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou o
sigilo da investigação.”
Procurado, o STF encaminhou a seguinte
nota:
“A investigação não é decorrente do Inq
4781. Foi solicitada pela Polícia Federal, em 23/12/2025, para investigação do
crime de perseguição contra Ministro do STF (CP, art. 147-A) e distribuída ao
Min. Cristiano Zanin. Em 13/1/2026, a PGR manifestou-se a favor da
investigação. Em 12/02/2026, a pedido do Min Cristiano Zanin, a Presidência
determinou a redistribuição dos autos ao Ministro Alexandre de Moraes”
A CNN também questionou o gabinete de
Flávio Dino se seus familiares utilizam carro oficial do TJ-MA e, por meio de
sua assessoria, informou que não iria comentar.
Questionado, o TJ-MA disse que não se manifestaria.
Caio Junqueira – CNN Brasil

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