sexta-feira, 27 de março de 2026

Alvaro Gribel: Auditores do TCU suportam pressão política, derrubam versão de Vorcaro e expõem Ibaneis

 


Os auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) suportaram a pressão política e elaboraram um parecer técnico sobre o trabalho do Banco Central que merece ser lido e relido por quem quiser entender com mais clareza o caso Master. É um daqueles episódios em que os servidores públicos - especialmente da elite tão criticada do funcionalismo - deixam claro que servem ao Estado, fazem jus aos altos salários e à estabilidade conquistada em concurso.

Como mostrou o Estadão, havia pressão do ministro Jhonatan de Jesus para que o parecer condenasse a atuação do Banco Central na análise do Master e abrisse espaço para a suspensão e até a anulação da liquidação do banco comandado por Daniel Vorcaro. Pressão que também era reforçada pelo ministro Dias Toffoli, primeiro relator do caso no STF, e que colocou o trabalho do Banco Central em xeque.

Pois as 125 páginas do documento revelam exatamente o contrário: que não foram identificadas “impropriedades, omissões ou negligência na atuação” do BC, e que a liquidação foi medida “imperativa, legal e tecnicamente bem fundamentada”. Esse é apenas um trecho da conclusão do relatório, mas ele vem embasado cronologicamente, revelando que desde 2021 o Banco Central já monitorava fragilidades na governança e na gestão de ativos do Master.

“A cada descoberta, o BCB formalizou ofícios, súmulas de apontamentos e determinações corretivas, construindo um lastro probatório sólido e rastreável sobre a deterioração progressiva da situação econômico-financeira da instituição”, apontam.

As páginas contrastam com o depoimento de Vorcaro, que afirmou em depoimento à PF que foi pego de surpresa com a liquidação do Master, já que seguia todas as normas estipuladas pelo órgão regulador. Também jogam por terra a narrativa elaborada pela defesa do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que disse que não sabia das fraudes e que o próprio BRB teria feito a comunicação do problema ao Banco Central.

Sobre o governo Ibaneis Rocha, há um pedido de investigação por órgãos competentes, já que eles relatam pressão sobre o TCU para tentar contornar o trabalho do BC. Ibaneis agora tenta se distanciar do caso, mas o seu governo precisa explicar por que houve tanto interesse em comprar o Master, mesmo depois de ter levado um golpe de R$ 12,2 bilhões em carteiras fraudadas do banco.

Com o embasamento técnico para a liquidação e as revelações de que Vorcaro cometeu crimes em série, só resta ao ex-banqueiro buscar a delação premiada. Um dos capítulos dessa trama criminosa ficou mais claro a partir do relatório do TCU.

Alaro Gribel - Estadão

 

 

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