Mensagens inéditas apreendidas pela Polícia Federal
indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, autorizou
repasses que somam R$ 35 milhões para o resort Tayayá, empreendimento que teve
participação societária ligada ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal
Federal.
Esses diálogos, obtidos com exclusividade
pelo Estadão, mostram que o cunhado de Vorcado, Fabiano Zettel, atuava
como seu operador financeiro e era o responsável por organizar esses
pagamentos. Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas
cobranças.
Segundo a PF, Zettel organizava os pagamentos e
submetia as liberações a Vorcaro. Em uma das mensagens, aparece a indicação
“Tayaya – 15”, interpretada pelos investigadores como um repasse de R$ 15
milhões, ao que o banqueiro respondeu: “Paga tudo hoje”.
Em outra conversa, Vorcaro demonstrou irritação com
atrasos. “Me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, escreveu. A resposta
indicou que os valores já estariam no fundo ligado ao resort. Ao final, Zettel
confirmou: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.
O relatório foi encaminhado ao STF e compartilhado
com os ministros da Corte e com a Procuradoria-Geral da República. O material
está sob análise do procurador-geral Paulo Gonet.
Toffoli nega recebimento de valores de
Vorcaro
Em nota divulgada após a PF ter apresentado o
relatório ao STF, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt,
que tinha participação nos resorts, mas negou ter recebido pagamentos de
Vorcaro. Leia a íntegra da manifestação.
“A Maridt é uma empresa familiar,
constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei
6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de
declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita
Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do
quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do
Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei
Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de
empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de
gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do
grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação
anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações
sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de
setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD
Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente
declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas
dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus
sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma
restrição.
A ação referente à compra do Banco
Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro
de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya
Ribeirão Claro.
Ademais, o Ministro desconhece o gestor
do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos
amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece
que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano
Zettel.”

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