sábado, 14 de fevereiro de 2026

Vorcaro foi cobrado por aportes e determinou repasses que totalizaram R$ 35 milhões a resort do qual Toffoli era sócio

 


Mensagens inéditas apreendidas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, autorizou repasses que somam R$ 35 milhões para o resort Tayayá, empreendimento que teve participação societária ligada ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Esses diálogos, obtidos com exclusividade pelo Estadão, mostram que o cunhado de Vorcado, Fabiano Zettel, atuava como seu operador financeiro e era o responsável por organizar esses pagamentos. Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas cobranças.

Segundo a PF, Zettel organizava os pagamentos e submetia as liberações a Vorcaro. Em uma das mensagens, aparece a indicação “Tayaya – 15”, interpretada pelos investigadores como um repasse de R$ 15 milhões, ao que o banqueiro respondeu: “Paga tudo hoje”.

Em outra conversa, Vorcaro demonstrou irritação com atrasos. “Me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, escreveu. A resposta indicou que os valores já estariam no fundo ligado ao resort. Ao final, Zettel confirmou: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.

O relatório foi encaminhado ao STF e compartilhado com os ministros da Corte e com a Procuradoria-Geral da República. O material está sob análise do procurador-geral Paulo Gonet.

Toffoli nega recebimento de valores de Vorcaro

Em nota divulgada após a PF ter apresentado o relatório ao STF, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que tinha participação nos resorts, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro. Leia a íntegra da manifestação.

“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.

A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.

Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.”

 

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