O líder da oposição na Assembleia Legislativa do Rio
Grande do Norte, Tomba Farias (PL), afirmou que as articulações políticas em
torno de uma possível eleição indireta para o Governo do Estado dependem,
sobretudo, da decisão da governadora Fátima Bezerra sobre deixar ou não o cargo
para disputar o Senado em 2026 e da posição do vice-governador Walter Alves
quanto a assumir o Executivo estadual.
Segundo Tomba, o cenário ainda é indefinido e
concentra o debate político no estado. “Tudo vai girar em torno dessa posição.
Se a governadora ficar, acaba o problema da eleição indireta. Se ela sair e o
vice assumir, também está extinto esse processo. Agora, se ela sair e o vice
não assumir, aí sim haverá uma eleição indireta”, explicou.
O deputado ressaltou que, nesse último cenário, o
presidente do Tribunal de Justiça deverá assumir o governo de forma interina
por até 30 dias, até que a Assembleia Legislativa realize a eleição indireta.
“Isso é um dos fatores que está mexendo muito com o Rio Grande do Norte”,
afirmou.
Para a oposição, caso o mandato-tampão se
concretize, o perfil defendido não é político, mas técnico. “Tem que ser uma
pessoa de consenso, um técnico, alguém que arrume a casa, que tenha
responsabilidade de botar as coisas em dia no estado”, disse. Segundo Tomba, um
gestor político teria dificuldade de adotar medidas mais duras em um período
pré-eleitoral. “A política não funciona por aí. O técnico toma medidas amargas,
ajusta o estado e entrega um cenário mais claro para quem for eleito depois”,
argumentou.
Questionado sobre a possibilidade de o PL indicar um
nome para essa eventual eleição, Tomba afirmou que o partido já discutiu o tema
internamente, mas sem definição. “Pensamos em nomes, mas a unanimidade é que
seja alguém de credibilidade e sem compromisso eleitoral”, afirmou.
O parlamentar também descartou o nome do ex-prefeito
de Natal Álvaro Dias como opção da oposição.
“Álvaro Dias não passou pela cabeça da gente”,
disse, acrescentando que o perfil desejado seria semelhante ao de dirigentes de
entidades como a Fiern ou o Sebrae, com experiência administrativa e técnica.
Ao comentar a defesa do governo pelo nome de Cadu
Xavier para o mandato tampão, Tomba fez ressalvas. “Quando o governo fala em
Cadu, na verdade, eu acho que não seria uma boa continuidade das coisas”,
afirmou, ponderando que o tema ainda será debatido à medida que o cenário
político se definir.
Apesar das críticas, o líder da oposição disse que a
Assembleia está aberta ao diálogo. “A gente está pronto para conversar e, se
isso vier a acontecer, vamos buscar uma pessoa que pondere as coisas e tenha
compromisso com o Rio Grande do Norte”, concluiu.

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