O Ministério da Saúde incinerou mais de R$
108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos ao longo de 2025. Desse total,
17,1% — cerca de R$ 18,5 milhões — ainda estavam dentro do prazo de validade no
momento do descarte, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação.
As informações são da coluna de Tácio Lorran,
do Metrópoles. Entre os itens inutilizados estão
medicamentos de alto custo, como anticorpos monoclonais usados no tratamento de
câncer, além de vacinas contra a dengue e insumos adquiridos por decisão
judicial. Há casos de produtos com validade até 2050 que também acabaram
incinerados. Apesar da redução em relação aos anos anteriores, o volume segue
acima do período pré-pandemia.
Nos três primeiros anos do atual governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o montante descartado já chega a R$
2 bilhões — valor mais de três vezes superior ao registrado em todo o mandato
do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando foram incinerados R$ 601,5
milhões. O pico ocorreu em 2023, com R$ 1,3 bilhão em perdas.
Após auditoria, a Controladoria-Geral da União apontou
falhas na gestão de estoques e recomendou medidas para melhorar controle,
logística e monitoramento. O ministério afirma que as recomendações já foram
cumpridas ou estão em fase final de execução e nega desperdício, alegando
ressarcimento em casos de não conformidade técnica.
Segundo a pasta, a taxa de incineração em 2025
correspondeu a 1,48% do estoque total, com meta de redução para 1% em 2026. O
governo atribui os descartes a fatores como judicialização, mudanças em
protocolos médicos, variações epidemiológicas e exigências sanitárias que
impedem o reaproveitamento de medicamentos devolvidos.

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