O câncer infantojuvenil, que afeta crianças e
adolescentes de 0 a 19 anos, representa a principal causa de morte por doença
nessa faixa etária no Brasil (INCA, 2023). Apesar dos avanços no tratamento,
que elevam as chances de cura para até 80%, quando detectado precocemente,
contudo, muitos casos ainda são diagnosticados tardiamente (American Cancer
Society, 2022). Apontando como principais obstáculos para o diagnóstico precoce
do câncer infantojuvenil, destacam-se fatores como a falta de sintomas
específicos, desinformação e dificuldades no acesso à saúde.
Um dos maiores desafios para o diagnóstico precoce é
a semelhança dos sintomas do câncer infantojuvenil com doenças benignas. Febre
persistente, dores ósseas, hematomas e perda de peso são, frequentemente,
associados a infecções comuns, levando a um atraso na investigação (Rodrigues
et al., 2021). Como ressalta Lopes et al. (2020, p. 45), "a falta de
sinais patognomônicos faz com que muitos profissionais de saúde não considerem
o câncer na primeira hipótese diagnóstica".
Muitos casos de câncer infantojuvenil são,
inicialmente, atendidos por clínicos gerais ou pediatras, que, devido à baixa
incidência da doença, podem não reconhecer os sinais de alerta. Um estudo
realizado em unidades básicas de saúde mostrou, que apenas 30% dos médicos se
sentiam confiantes para identificar sintomas sugestivos de câncer em crianças
(Silva et al., 2019). A educação continuada é essencial para melhorar a
suspeição clínica.
Mesmo quando há suspeita, as barreiras no acesso a
exames especializados e oncologistas pediátricos retardam o diagnóstico. Em
regiões remotas, a demora para realizar biópsias ou ressonâncias magnéticas
pode prolongar o tempo entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença
(INCA, 2023). Conforme destacado por Pereira e colaboradores (2022), "o
diagnóstico tardio está diretamente associado à maior complexidade do tratamento
e pior prognóstico".
A falta de conhecimento sobre os sinais do câncer
infantojuvenil, entre pais e cuidadores, também contribui para o atraso. Muitas
famílias buscam soluções caseiras, antes de procurar ajuda médica, perdendo um
tempo valioso (American Cancer Society, 2022). Campanhas de conscientização são
fundamentais para mudar esse cenário.
O diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil
enfrenta múltiplos desafios, desde a natureza inespecífica dos sintomas até as
barreiras no sistema de saúde. Estratégias como capacitação profissional,
ampliação do acesso a exames e campanhas educativas são urgentes, para melhorar
o prognóstico desses pacientes. Como sociedade, é preciso agir rapidamente,
pois, como afirma o INCA (2023), "o tempo é um aliado crucial na luta
contra o câncer infantojuvenil".
Michelle Phiffer
Assessora de Imprensa
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