Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN) pode trazer um avanço importante para a segurança
energética e a continuidade da produção de petróleo no Brasil. Pesquisadores da
instituição criaram um sensor químico mais rápido e de baixo custo capaz de
monitorar, em tempo quase real, substâncias usadas para evitar incrustações, um
dos principais problemas operacionais da indústria petrolífera.
As incrustações são depósitos minerais que se formam
em poços e dutos e podem causar entupimentos, paralisações na produção e grandes
prejuízos financeiros. Para evitá-las, a indústria utiliza inibidores químicos,
cujo controle de dosagem ainda depende de métodos analíticos caros, demorados e
que exigem infraestrutura complexa.
A nova tecnologia, desenvolvida em parceria com o
Núcleo de Processamento de Alto Desempenho (NPAD), utiliza a técnica de
Espectroscopia Raman Aumentada por Superfície (SERS) como alternativa aos
métodos tradicionais. O diferencial está no sensor criado pelos pesquisadores:
um substrato de vidro com quatro camadas de nanopartículas de prata, capaz de
ampliar o sinal de detecção em até sete vezes.
Com essa sensibilidade, foi possível identificar o
inibidor ATMP (Ácido Aminotrismetileno Fosfônico) em concentrações muito
baixas, compatíveis com as condições reais das operações em campo. Segundo o
professor Rafael Fernandes, do Instituto de Química da UFRN, o método é mais
rápido, econômico e menos dependente de infraestrutura do que técnicas como a
ICP-OES e a cromatografia iônica, além de permitir o monitoramento contínuo dos
inibidores.
Além do trabalho experimental, o NPAD foi
responsável por cálculos teóricos que confirmaram a afinidade química entre o
inibidor e a prata, validando a eficiência do sensor. Os resultados da pesquisa
foram publicados em revista internacional da Elsevier.
O próximo passo do estudo é o desenvolvimento de
sensores SERS portáteis, com potencial para uso direto em poços de petróleo. A
proposta é facilitar a análise no local da operação, reduzir custos e ampliar o
controle químico, contribuindo para a prevenção de falhas e a otimização da
produção no setor energético.

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