Um levantamento da Transparência Brasil identificou
cerca de 60 categorias de benefícios que elevam os salários de servidores do Judiciário
e dos Ministérios Públicos acima do teto constitucional de R$ 46.366,19.
Conhecidos como “penduricalhos”, esses pagamentos aparecem nos contracheques de
todo o país e somam cerca de 3 mil denominações diferentes.
A multiplicidade de nomes, muitas vezes genéricos —
como licença-compensatória ou conversão de licença em pecúnia — dificulta
identificar se os valores têm natureza salarial ou indenizatória. Há também
benefícios específicos, como a diferença de entrância, paga a juízes
transferidos para comarcas maiores.
O tema ganhou força após o Congresso aprovar
benefícios semelhantes para servidores da Câmara e do Senado. Pela proposta,
quem abrisse mão das vantagens receberia indenização em dinheiro, fora do
alcance do abate-teto, mecanismo que limita salários ao teto constitucional.
A iniciativa levou o ministro do STF Flávio Dino a
suspender penduricalhos nos três Poderes. Na decisão, ele ironizou a
criatividade dos auxílios, citando exemplos como “auxílio-peru” e
“auxílio-iPhone”.
Benefícios em dinheiro burlam o teto e
geram alto custo
Entre os principais mecanismos está a licença
compensatória, que permite converter folgas não tiradas em pagamento. Apenas no
Judiciário, esse benefício custou R$ 819 milhões entre julho de 2023 e outubro
de 2024.
Outro caso é a licença-prêmio, concedida a cada
cinco anos sem faltas ao trabalho. Entre 2019 e 2022, o Ministério Público da
União pagou R$ 486,6 milhões a servidores que optaram por receber o valor em
dinheiro.
Além disso, auxílios como moradia, alimentação e
saúde seguem fora do teto. Há ainda benefícios mais controversos, como
auxílio-livro, informática, telefonia e paletó, que ampliam o impacto dos
gastos públicos.

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