Apesar do discurso do governo Lula de ampliar a
tributação sobre os mais ricos, os impostos incidentes sobre renda e patrimônio
perderam participação na arrecadação federal nos primeiros anos da atual
gestão. Dados da Receita Federal mostram que esses tributos representavam 42%
do total arrecadado em 2022, último ano do governo anterior, e caíram para 40%
em 2025, dentro de um montante de R$ 2,8 trilhões.
No mesmo período, quem ganhou peso foram os impostos
sobre consumo, que afetam de forma mais direta a população de baixa renda. A
participação dos tributos sobre bens e serviços subiu de 24,8% para 26,8% do
total arrecadado, enquanto as cobranças sobre movimentações financeiras também
avançaram, ainda que de forma mais tímida. Já os tributos sobre a folha de
salários perderam espaço, encerrando 2025 com 28,4% do bolo.
Especialistas apontam que o movimento tem relação
com fatores técnicos e conjunturais, como o fim de desonerações concedidas em
2022, mudanças após decisões do STF e a maior eficiência da máquina
arrecadatória, especialmente na cobrança de PIS e Cofins. Além disso, a perda de
dinamismo nos lucros de setores como o petrolífero reduziu a arrecadação de
impostos sobre o lucro das empresas, que são mais voláteis.
Apesar disso, em valores nominais, todos os grupos
de tributos cresceram acima da inflação, reflexo da estratégia do governo de
priorizar o aumento de receitas em vez do corte de despesas. A expectativa do
Planalto é que, a longo prazo, a reforma tributária do consumo e medidas como o
imposto mínimo sobre altas rendas aumentem a progressividade do sistema,
embora, por ora, o peso maior da arrecadação continue recaindo sobre o consumo.
Com informações do O Globo

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